A FOTO
2012-12-23
Boas Festas
Os autores de A FOTO desejam, mais ainda dado o contexto adverso, a todos os visitantes deste blog assim como às suas famílias um Bom Natal e um Ano Novo próspero e feliz.
2012-12-21
A Foto do BEIRÃO
Antecipando a apresentação de A FOTO em Viseu, Fernando Pereira de Figueiredo, coronel de Infantaria na reserva, autor do blog Viseu Senhora da Beira, beirão e viseense de gema, segundo concluo, colocou um simpático post no seu blog sobre o "nosso" livro que, estou certo, não escapará à atenção daquele comité que leva o nome do célebre inventor da dinamite e que não gostava de prémios, Alfred Nobel.
O nosso amigo Beirão, que não quero dizer aqui que é o Zé Gomes de Pina, porque já todos sabem, e um dos principais autores de A FOTO, foi quem me informou do post e do blog. Naturalmente fê-lo com aquela modéstia que lhe conhecemos quase pedindo desculpa de ser ele o autor eleito do artigo bloguista, na justa qualidade de viseense pela pena de viseense.
Podia ficar apenas ali em cima o link para o blog Viseu Senhora da Beira mas fico mais confortável colocando o post aqui também. E de caminho felicito o Cor. Fernando Figueiredo pelo seu muito interessante blog. Eis o post:
________________
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Logo no primeiro comentário que recebi do leitor que se identificava como "Beirão" percebi que a sua ligação à cidade vivia da paixão que lhe dedicava sem perder a objectividade da visão critica da realidade. Corrigiu-me análises, ajudo-me a melhorar o grafismo, apontou-me caminhos e tem-me acompanhado ao longo destes anos sempre com a mesma cordialidade e ajustado comentário. Dava a entender que não esquecia as raízes e lembrava-se ainda do tempo em que "as viagens entre Viseu e Lisboa obrigavam a sucessivos transbordos em Santa Comba (linha do Dão) e Pampilhosa (linha da Beira Alta) durante mais de sete horas de viagem no meio de malas, cestos, pessoal em pé, as conversas informais, os farnéis, o nosso portuga em pleno, os amigos e conhecidos que se encontravam, a "autoridade" do revisor, enfim, um romance por viagem." O Eng José Gomes de Pina, o Beirão, encontrei-o há dias na minha caixa de correio graças à sua simpatia na forma de livro que li com prazer e onde descobri que é um ilustre viseense, com um curriculum invejável e com este legado memorável de um retrato do país dos anos 60 e 70 onde a sua juventude de então, irreverente, destemida e cheia de ideais lutou pela liberdade e progresso de Portugal. Espero voltar a encontrá-lo fisicamente em breve cá pelo burgo na apresentação do livro para que à volta de um café lhe possa entregar o abraço fraterno e dizer-lhe de viva voz a estima e consideração que nestes anos me merece como leitor assíduo do VSB.
2012-12-14
2012-12-03
Quanto tempo tem o tempo?: A Foto - E o Reencontro Meio Século Depois: sugestão de leitura
COMENTÁRIO SOBRE O LIVRO A FOTO NO LANÇAMENTO EM COIMBRA POR UMA "BLOGGER" O RELÓGIO DE CORDA
Quanto tempo tem o tempo?: A Foto - E o Reencontro Meio Século Depois: sugestão de leitura
Quanto tempo tem o tempo?: A Foto - E o Reencontro Meio Século Depois: sugestão de leitura
2012-12-02
A intervenção de Mário Lino no Porto
José Gomes de Pina, Noémia de Ariztia, Paula Correia, Raimundo Narciso,Teresa Tito de Morais, António Baptita Lopes, Augusto Santos Silva, Mário Lino e José Ilídio Ribeiro
Caros amigos
Em nome dos oito aurores do livro “A
FOTO e o Reencontro Meio Século Depois”, cabe-me dizer algumas palavras
nesta sessão de apresentação no Porto, tal como o Raimundo Narciso e a Teresa
Tito de Morais já o fizeram nas sessões realizadas, respectivamente, em Lisboa,
no dia 11 de Junho, e em Coimbra no dia 19 de Novembro.
Gostaria de começar por saudar todos os presentes que
aceitaram o nosso convite para participar nesta sessão, dizendo-lhes que muito
nos sensibiliza o facto de partilharem connosco a alegria e a satisfação que
temos na apresentação e divulgação do nosso livro.Gostaria, também, de agradecer à Câmara Municipal do Porto, a disponibilidade e apoio manifestados com a cedência destas instalações para a realização desta sessão de apresentação.
Gostaria, ainda, de agradecer à Editora Âncora e ao Dr. António Baptista Lopes o entusiasmo e empenho com que sempre nos apoiaram na concretização deste projecto.
Uma palavra de particular destaque e apreço é devida
ao Prof. Dr. Augusto Santos Silva e ao Dr. José Ilídio Ribeiro que irão
apresentar o nosso livro.
O José Ilídio Ribeiro foi estudante universitário da
Faculdade de Medicina do Porto, quando nós éramos também estudantes
universitários ou dos últimos anos do Liceu em Lisboa, tendo terminado o seu
curso em 1967. Como nós, também se envolveu nas lutas estudantis dos anos
sessenta. Em 1969 foi incorporado como médico militar, tendo sido mobilizado
pera a guerra colonial em Angola, em Outubro desse ano, donde regressou em
Outubro de 1971. Em 1973 e 1974 fez parte da Direcção Regional Norte da Ordem
dos Médicos. Depois de concluir o internato em 1975, ingressou no Hospital
Eduardo Santos Silva, agora Centro Hospitalar de Vila
Nova de Gaia, onde exerceu sempre funções.
Em resultado da sua reconhecida competência e
dedicação profissional, exerceu diversas responsabilidades hospitalares, tendo,
em 1996, sido eleito pelo Corpo Clínico daquele Centro Hospitalar para seu
Director Clínico, cargo que manteve até se reformar em 2002.
Contrariamente a alguns dos autores do livro que
apenas deram uns toques na bola quando eram estudantes (provavelmente mais para
se armarem em desportistas à frente das namoradas), o José Ilídio Ribeiro foi
um desportista com provas dadas e créditos firmados, tendo defendido a equipa
dos médicos nas modalidades de andebol, basquetebol e futebol, e sido atleta
federado de andebol, Presidente da Associação de Andebol do Porto e dirigente
do Futebol Clube da Maia.
O Augusto Santos Silva é de uma geração posterior:
começou a frequentar a Faculdade de Letras do Porto em 1973, tendo-se licenciado
em História em 1978, e depois, em 1992, doutorado em Sociologia da Cultura e da
Educação pelo Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa.
Enquanto estudante universitário, empenhou-se
activamente no movimento associativo estudantil, tendo sido membro da Direcção
da Associação dos Estudantes da Faculdade de Letras do Porto em 1977, portanto
já depois da Revolução de Abril.É docente da Faculdade de Economia do Porto desde 1981, actualmente com a categoria de Professor Catedrático. Em 1998/1999, foi Pró-Reitor da Universidade do Porto e Presidente do Conselho Científico da Faculdade de Economia do Porto. A par da sua actividade enquanto docente, tem desenvolvido outras relevantes actividades de intervenção cívica, designadamente nos domínios da política, da educação e da cultura, e enquanto colunista e cronista de comunicação social.
No que se refere, em particular, à sua actividade política, integrou diversos órgãos do Partido Socialista, tanto a nível do distrito do Porto como a nível nacional; foi eleito, por diversas vezes, deputado à Assembleia da República pelo círculo eleitoral do Porto; e exerceu funções governativas em três Governos Constitucionais, designadamente como Secretário de Estado da Administração Educativa, Ministro da Educação, Ministro da Cultura, Ministro dos Assuntos Parlamentares e Ministro da Defesa.
Conheci pessoalmente e convivi muito intensamente com
o Augusto Santos Silva quando ele era Ministro dos Assuntos Parlamentares,
durante os 4 anos e meio que integrámos o XVII Governo Constitucional, entre 2005
e 2009, tendo beneficiado muito da sua experiência política, governativa e parlamentar,
guardando desse convívio recordações muito gratas.
Quero deixar uma saudação muito amiga ao José Ilídio
Ribeiro e ao Augusto Santos Silva que muito nos honraram com a sua
disponibilidade para fazer a apresentação do nosso livro nesta sessão, e aos
quais queremos, pública e muito reconhecidamente, agradecer.
Meus caros amigos
Em Março de 1963, um grupo de 21 estudantes pousou
para a foto que está reproduzida na
capa do livro, tirada no campo de futebol da Associação dos Estudantes do Instituto
Superior Técnico, em Lisboa.
Sobre esta foto,
há coisas que sabemos e coisas que não sabemos, ou de que já não nos recordamos.
Sabemos que são 21 estudantes que estão nesta foto, 16 rapazes e 5 raparigas. 12 dos
rapazes eram do Técnico (Albano Nunes, António
Redol, Carlos Marum, João Resende, José Gameiro, já falecido, José Gomes de
Pina, João Santos Marques, Luís Bénard da Costa, também já falecido, Mário
Lino, Mário Neto, Raimundo Narciso e Rui
Martins), 1 da Faculdade de Ciências de Lisboa (Ernâni Pinto Basto), 1 da
Faculdade de Medicina de Lisboa (Jaime Mendes) e 2 do último ano dos liceus (Joaquim
Letria e Fernando Rosas).
Quanto às raparigas, 1 era da Faculdade de Ciências de
Lisboa (Paula Mourão) e 3 do último ano dos liceus (Marília Morais, Noémia
Simões, agora de Ariztía e Teresa Tito de Morais). Desconhecemos quem é a
quinta rapariga, precisamente a que, na foto,
está no meio das 5.
Também não sabemos quem tirou a foto.
10 dos rapazes estavam equipados para o jogo de
futebol que se seguiu à foto. Um dos
rapazes, o João Santos Marques que está de apito na mão, fez de árbitro. Os
outros 5 rapazes e as 5 raparigas constituíam a claque, mas desconhecemos qual
foi o resultado do jogo.
Também sabemos porque estavam juntos: eram amigos, activistas
dos movimentos associativos estudantis que desenvolviam uma luta muito
determinada, no plano cultural e político, contra a ditadura salazarista.
Vários deles exerciam ou vieram a exercer funções dirigentes nos respectivos
órgãos associativos. Com excepção de quatro ou cinco, todos eram, ilegal e
secretamente, militantes do Partido Comunista Português, alguns deles já com
responsabilidades organizativas.
Nos anos que se seguiram a este encontro de futebol,
os estudantes de todo o País sofreram sucessivas e violentas vagas repressivas.
Do grupo da foto, em momentos
diferentes:
·
Foram expulsos da
universidade, Ernâni Pinto Bastos (15 dias da Faculdade de Ciências de Lisboa)
e Mário Lino (2 anos de todas as universidades do País).
·
Foram presos pela
PIDE, Carlos Marum, Fernando Rosas, João Resende, João Santos Marques, Mário
Lino, Mário Neto e Teresa Tito de Morais.
·
Sofreram o exílio, Jaime Mendes, Carlos Marum
e Noémia de Ariztía.
·
Passaram a viver
na clandestinidade em Portugal, para combater a ditadura, Albano Nunes, João
Resende, João Santos Marques e Raimundo Narciso.
Decorridos quase 50 anos, quando, um dia, no início de
Janeiro de 2010, a Noémia de Ariztía estava a fazer arrumações em sua casa,
deparou-se com uma velha caixa de lápis de cor que continha, entre outras
relíquias, aquela foto tirada em
Março de 1963. A descoberta trouxe-lhe à memória acontecimentos há muito
passados e uma grande vontade de saber o que tinha entretanto acontecido
aqueles amigos. Digitalizou a foto e
enviou-a por mail ao Jaime Mendes, com quem mantinha contacto, para ver o que é
que ele sabia. O Jaime, por seu turno, reenviou a foto ao Raimundo Narciso que teve a ideia de procurar reunir, de
novo, todos os que para ela posaram, com o objectivo de fazerem um balanço das
suas vidas e de gozarem a alegria de se reencontrarem. Para isso distribuiu a foto, por mail, aos que não tinha perdido
o rasto, escrevendo:
«[…] A fotografia dos colegas de 1963
sugeriu-me a ideia de fazermos um livro. Vai tudo explicado no ficheiro anexo.
Digam-me o que vos parece ideia tão insensata».
O anexo do e-mail
era um texto longo a rebuscar mil e uma razões que tornasse aliciante a
proposta ou, pelo menos, que evitasse que a considerássemos uma proposta tola. O
Raimundo Narciso propunha «um livro
escrito a tantas mãos quantos os que, entre nós, se atrevessem a tanto», e
interrogava-se: «Interessaria aos mais
novos, à geração dos nossos filhos e netos, conhecer, através de vivências e
percursos de vida tão díspares, uma ponta desse mundo tão próximo e tão
ignorado?».
Os primeiros
contactados aderiram à ideia com entusiasmo. Uns, pela proposta do livro e
outros, pela ideia do convívio que restabeleceria, nalguns casos, pontes de
anos ou de dezenas de anos entre vidas desencontradas.
A mensagem electrónica foi, pois, o sinal. Muitas
outras refizeram os contactos e as amizades perdidas em quase meio século de
viagem, em que alguns ficaram pelo caminho. A política, a luta contra o regime
fascista, as prisões, a clandestinidade, os exílios, percursos por quatro
continentes, a actividade profissional, a luta pela vida, encontros e desencontros,
fraccionaram o grupo daqueles jovens em múltiplas bolsas de amizades.
Ao fim de algum tempo já tínhamos estabelecido
contacto entre todos. Seguiram-se, ao longo de quase dois anos, diversos
almoços de convívio em casa de vários dos participantes na foto, para planearmos o livro e acompanharmos a evolução da sua
escrita.
Por razões
várias, apenas oito dos estudantes presentes na foto acabaram por
concretizar este projecto.
O livro foi editado em Junho de 2012. A sessão de
lançamento realizou-se no Salão Nobre da Reitoria da Universidade de Lisboa, contando
com as intervenções do Dr. Jorge Sampaio que apresentou o livro, e do Reitor, Prof.
Dr. Sampaio da Nóvoa.
Neste livro, "revisitámos meio século das nossas vidas,
encontros e desencontros, amizades e alheamentos, trajectos que não se
cruzaram, amores, casamentos, compromissos, roturas, dúvidas, vidas não
coincidentes." É, portanto, um livro de memórias de uma geração em que muitos se
bateram pelos valores da liberdade, do progresso, da justiça social, e que
continuam unidos para que estes valores não se percam, mas antes se consolidem
e aprofundem.
Estamos num tempo em que muitas das conquistas sociais,
tardiamente conquistadas em Portugal após o 25 de Abril de 1974, e na Europa
desde o fim da Segunda Guerra Mundial, estão a ser fortemente atacadas pela
especulação dos mercados financeiros internacionais, e em que estamos
confrontados com a tibieza e inadequação das respostas que a UE vai,
penosamente, engendrando, e com a austeridade ideológica e letal com que o
Governo vai sufocando o País.
Por outro lado, enfrentamos hoje, em Portugal, na Europa e
no Mundo, novas lutas e desafios, e novas bandeiras se levantam.
Mas estamos firmemente convictos que a ética e os valores
que defendemos se mantêm actuais e universais, e que hoje, tal como ontem, as
novas gerações farão o seu caminho e encontrarão a melhor forma de se
organizarem em sociedades mais livres, democráticas, sustentavelmente
desenvolvidas e justas.
E mais não digo, convidando-vos apenas a ler o nosso livro.
Ata da apresentação do livro no Porto
Os autores de "A FOTO" chegaram ao Porto, na 6ªf, 30 de Novembro,
ainda de manhã para uma breve visita à Cidade Invicta e um almoço que nos conciliasse
com a árdua tarefa da apresentação do livro que fora entregue a dois ilustres
intelectuais, figuras públicas da ciência e da política.
A sala não tinha uma multidão como
em Lisboa mas não envergonhava. Na assistência além de dois ou três amigos só reconheci
a ex-ministra Isabel Pires de Lima.
O Editor, António Baptista Lopes,
falou, com o seu fino sentido profissional, da reconhecida excelência da edição
e não menor excelência dos autores. Com tão apurado tato que a assistência
aguçou o olhar, meio incrédula, para as reluzentes lombadas dos livros,
estrategicamente expostos pela sua eficaz colaboradora Inês Figueiras.
Seguiu-se-lhe no uso da palavra Mário
Lino, autor em nome dos autores, que apresentou os apresentadores e levou em
seguida, com apurada eficácia, como é seu timbre, a assistência a percorrer as recônditas
e mais apetecidas veredas do jardim das delícias que são os diferentes capítulos
da obra.
Falou então o apresentador José Ilídio
Ribeiro distintíssimo médico, na qualidade de antigo estudante da geração dos autores
e como eles um partícipe das lutas estudantis contra a ditadura, não poupou
palavras e razões que evidenciaram, como é próprio nestas circunstâncias, quão
marcante ficará para a História a obra que tinha a responsabilidade de dar a
conhecer à atenta plateia.
Last but not least tomou a palavra Augusto Santos Silva, professor
catedrático e figura incontornável de parlamentar e governante em várias pastas
dos últimos governos socialistas, que pelos seus dotes oratórios e assertiva
capacidade crítica deixou prostrada uma multidão de opositores pelos campos de
batalha política em que terçou armas. Fez
um levantamento da gesta do movimentos estudantis dos anos 60 do século XX e
das lutas políticas contra a ditadura que foi o terreno fértil em que desabrocharam
as aventuras relatadas no livro.
A escolha dos apresentadores foi
a todos os títulos acertada porque as suas justíssimas apreciações deixaram
impante o ego dos autores que, para assinalar o evento, decidiram-se pela
excelente gastronomia local num aprazível restaurante nem muito caro nem muito
barato decididos a gastar o dinheiro antes que o governo o saque com cortes, taxas
e sobretaxas a que chama eufemisticamente “cortes na despesa do Estado”.
2012-11-23
Apresentação de "A FOTO" no Porto
No próximo dia 30 de Novembro, sexta-feira, pelas 18h00, realiza-se no Porto, no Palacete dos Viscondes de Balsemão, Praça Carlos Alberto, 71, mais uma sessão de apresentação do nosso livro.
Os apresentadores serão Augusto Santos Silva e José Ilídio, o que muito nos honra e sensibiliza e a quem, publicamente, muito agradecemos a disponibilidade manifestada.
Os nossos públicos agradecimentos vão também para a Câmara Municipal do Porto, pelo seu apoio à realização desta sessão.
Aqui fica o convite para todos os interessados. Lá vos esperaremos.
Os apresentadores serão Augusto Santos Silva e José Ilídio, o que muito nos honra e sensibiliza e a quem, publicamente, muito agradecemos a disponibilidade manifestada.
Os nossos públicos agradecimentos vão também para a Câmara Municipal do Porto, pelo seu apoio à realização desta sessão.
Aqui fica o convite para todos os interessados. Lá vos esperaremos.
2012-11-21
Manuel Alegre à Lusa na apresentação de A FOTO
Na apresentação do livro A FOTO, em Coimbra, no dia 19 (ver post anterior) a Lusa entrevistou Manuel Alegre que, em resposta às questões colocadas, pronunciou-se sobre a ctualidade política e em seguida sobre o livro que com José Manuel Pureza acabara de apresentar. Dada a notoriedade de Manuel Alegre as suas declarações à Lusa, a seguir reproduzidas, tiveram um vasto eco nos media em especial nas versões on line , como por exemplo no Público, DN, Jornal I, O Sol, As Beiras, TVI-24, Almedina, Agencia Financeira ou até no Brasil-Local. (A notícia é a da Lusa em todos os media e os sublinhados a cores são obviamente da minha autoria)
A notícia da Lusa:

"Cada vez mais é preciso resistir, não só às perdas de soberania", mas também "aos atentados à dignidade e à identidade" do povo português, disse Manuel Alegre, em Coimbra, na apresentação do livro "A foto e o reencontro meio século depois", escrito por oito antigos estudantes envolvidos na oposição à ditadura de Salazar.
Neste contexto, o poeta disse ter sentido "revolta e vergonha", na semana passada, quando Angela Merkel visitou Portugal, ao ver o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, "comportar-se como um súbdito" da chanceler da Alemanha.
Manuel Alegre, tal como o ex-líder parlamentar do Bloco de Esquerda José Manuel Pureza, que partilhou a apresentação do livro com o histórico socialista, realçou a dimensão ética da obra.
"Este livro é eticamente importante", porque cada um dos autores "assume com inteireza a sua vida", disse.
Também para José Manuel Pureza, professor de Relações Internacionais da Universidade de Coimbra, "A foto e o reencontro meio século depois" simboliza "uma ética que partilharam" Jaime Mendes, Joaquim Letria, José Gomes de Pina, Mário Lino, Noémia de Ariztía, Paula Mourão, Raimundo Narciso e Teresa Tito de Morais.
O ponto de partida para o livro foi uma foto tirada em 1963, em Lisboa, durante uma jornada de convívio na Associação de Estudantes do Instituto Superior Técnico (IST), em que participaram ativistas do movimento associativo estudantil.
Na foto, que estava esquecida e foi encontrada por acaso há pouco anos, figuram 21 jovens universitários, incluindo os oito que vieram a escrever o livro, editado pela Âncora, que, segundo José Manuel Pureza, permite "resgatar em memória e demora o breve mas denso encontro com a vida".
As suas páginas, é possível "recordar o que é sendo, mas parece trivial", incluindo "o que custou cada rotura com os cânones bafientos" da ditadura fascista, acrescentou.
Dos 21 protagonistas da imagem inspiradora, apenas uma mulher não foi ainda identificada, "nem nenhum de nós se lembra quem tirou a fotografia", referiu Teresa Tito de Morais, ao intervir em nome dos autores. Dois dos fotografados, José Gameiro e Luís Bénard da Costa, já faleceram.
"Esta é uma geração que esteve unida para que não se volte para trás. Não é de maneira nenhuma um livro saudosista do passado", esclareceu.
Para Manuel Alegre, "este livro é mais do que um momento" vivido pelos jovens da foto, há 49 anos, no campo de futebol do IST.
"Eu olho para a foto e vejo o Eurico de Figueiredo, o Jorge Sampaio, Zeca Afonso, Rui Namorado e Luiz Goes", entre outros dos protagonistas das crises académicas dos anos 60 do século passado, em Lisboa ou em Coimbra, disse, admitindo que ele próprio também se revê no que representa aquela imagem.
Alegre evocou ainda, a propósito, os antifascistas Tito de Morais e Piteira Santos. Mas, na sua opinião, também o líder histórico do PCP, Álvaro Cunhal, está presente
2012-11-20
As belíssimas palavras da Teresa Tito de Morais,em Coimbra
Realizou-se ontem, em Coimbra, na Casa Municipal da Cultura, a apresentação do livro A FOTO. Ao longo de uma vasta mesa alinhavam-se os oito autores do livro, a Inês Figueiras em representação da Editora Âncora e os apresentadores José Manuel Pureza e Manuel Alegre ilustres coimbrões que tiveram além da gentileza de aceitar o nosso convite a amabilidade de enaltecerem o significado do livro como um importante e multifacetado testemunho das lutas dos Portugueses pela Liberdade.
A sessão foi iniciada por Inês Figueiras a cuja intervenção se seguiram as de Teresa Tito de Morais Mendes em representação dos oito autores, de José Manuel Pureza e de Manuel Alegre.
De momento temos disponíveis apenas as belíssimas palavras da Teresa que aqui vos deixo. Em breve terei, espero, as outras intervenções e, se demorarem, farei algumas considerações com prudente cautela para não destoarem excessivamente do brilho daquelas.

Cabe-me a mim falar em representação dos 8 autores do livro “A Foto e o reencontro meio século depois ….”
Faço-o
com enorme prazer, embora ciente de que vou ter alguma dificuldade, e vou ficar
muito àquem das apresentações dos meus amigos, co-autores do livro, a começar pela
do Raimundo, o grande impulsionador desta “aventura”, na Aula Magna da Reitoria,
em Lisboa, no passado dia 11 de Junho.
Começo
por saudar todos os presentes, nomeadamente o Manuel Alegre e José Manuel
Pureza que aceitaram apresentar o nosso livro em Coimbra. Agradecer à Casa
Municipal da Cultura pela hospitalidade para a realização desta sessão.
De
gerações diferentes, com olhares também diferentes, vai ser bom ouvir o Manuel
Alegre e José Manuel Pureza. Vão certamente analisar um período marcante da
história do nosso país, sentir o pulso das nossas emoções, através das
histórias contadas no livro, dos percursos de vida de cada um de nós, da luta
contra o regime fascista, das associações e pró-associações dos estudantes, da
prisão, do exílio, da guerra colonial, dos encontros e desencontros e sobretudo
dos afectos.
Conheci
o Manuel Alegre na Suíça, nos anos 60, onde eu e o Jaime morávamos. Vivia em
Argel e de vez em quando deslocava-se à Europa. Talvez ele já não se lembre,
mas uma vez estava em França, em Lyon, e pretendia entrar na Suíça. Viajava com
passaporte falso. Eu, o Jaime e o Eurico Figueiredo fomos buscá-lo de carro e
quando passámos a fronteira, em Genève, receosos que ele fosse apanhado, vimos
com surpresa o guarda a examinar minuciosamente os nossos passaportes (
passados pelo Consulado de Portugal ), sobretudo o do Eurico.
Quanto
ao do Manel, que era completamente falso, o polícia afirmou: “Este não levanta
qualquer dúvida”. Levou então os nossos para verificações mais cuidadas….
Na
altura em que tirámos a Foto, o
Manel Alegre estaria seguramente em Angola, onde foi preso pela PIDE em 1963.
Quanto
ao José Manuel Pureza também já lá vão alguns anos que nos conhecemos, quase
20….. Foi em 1995, por aí, quando ele entrou no escritório do Alto Comissariado
das Nações Unidas para os Refugiados, em Lisboa, para nos convidar a dar uma
aula, sobre o asilo e os refugiados, para os estudantes de Relações
Internacionais, na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra.
Professor,
investigador do CES, defensor inabalável dos Direitos Humanos, grande pedagogo,
muito querido dos seus alunos, entendeu sempre o ensino com uma componente prática,
que só uma organização com trabalho no terreno pode transmitir. Começámos assim
uma boa e frutuosa colaboração que se estendeu por vários anos. O Zé Manel
Pureza, por outro lado, passou a ser convidado “residente” de todos os Congressos
Internacionais do Conselho Português para os Refugiados, na Gulbenkian, com intervenções
magníficas sobre as questões ligadas aos Direitos Humanos, Migrações e Estudos
para a Paz.
Obrigada
também à Editora Ãncora, e ao António Batista Lopes, na pessoa da Inês
Figueira, pelo entusiasmo e força que nos deram para terminarmos este projeto e
editar o livro.
Tudo
começou por uma fotografia dentro de
uma caixinha, perdida algures no quarto da Noémia. Há quem diga que estava
dentro dum baú. Eu, por meu lado, imaginei a Noémia, numa crise frenética de
limpeza, de espanador na mão, a encontrá-la debaixo da cama, qual tesouro
escondido.
Mas
decididamente não foi assim. A Noémia estava sossegadamente sentada no sofá,
com uma ponta de nostalgia, pegou ao acaso numa caixa e encontrou a foto, já um pouco amarelecida, tirada
no Instituto Superior Técnico durante um jogo de futebol, com uma claque
feminina de 5 jovens, seguramente no ano de 1963.
Foi
para o computador e enviou-a para o Jaime, dizendo: “Olha o que eu encontrei?”.
Por
seu lado, o Jaime mandou-a para o Raimundo e, tempos depois, nos finais de
Janeiro de 2010, o Raimundo lançou o desafio:
“…a fotografia
dos colegas de 1963 sugeriu-me a ideia de fazermos um livro. Digam-me o que vos
parece ideia tão insensata.”
No
ficheiro anexo propunha ainda “um livro
escrito a tantas mãos quantas os que, entre nós, se atrevam a tanto”.
As
modernas técnicas de comunicação, o correio eletrónico e o Facebook serviram
para identificar a maioria dos colegas. Dois desses estudantes não chegaram até
nós: José Gameiro, falecido na Africa do Sul em 1978, e Luís Bénard da Costa,
que morreu em 2008. Do grupo, 11 são estudantes do ISTécnico, dois da Faculdade
de Ciências, um de Medicina e seis do último ano dos liceus.
Permanece
o mistério, quanto à identidade da jovem do meio. Passámos a chamá-la Mata Hari…. e
interrogamo-nos também com a dúvida de “quem teria tirado a fotografia”
O
primeiro encontro deu-se, em Abril de 2010, na nossa casa em Casais da Aroeira.
Compareceram 12, acompanhados dos maridos e mulheres. Trouxeram vinhos e
sobremesas, encheram a casa de alegria.
Alguns
já não se viam há mais de 4 décadas, sabíamos de outros pelas notícias, e poucos
mantinham relações próximas. Mas parecia que o tempo não tinha passado. O
sentimento foi de grande cumplicidade. Marcados por experiências diversas, permanecíamos
unidos por aquilo que nos juntou 47 anos antes: a luta por um país com liberdade
e democracia.
Seguiram-se
outros convívios, em casa da Paula e do Mário Lino, na Ericeira, do Joaquim e
da Berta, na Verdizela, e no atelier do Pancho, em Lisboa, distinto pintor
Francisco Ariztia, que ofereceu uma imagem lindíssima para o marcador do livro,
onde a Noémia nos serviu as célebres “empanadas”.
Por
razões várias apenas oito acabaram por participar no livro e foi combinado que
relataríamos, com toda a liberdade, cenas da nossa vida desde 63 até aos dias
de hoje.
Assim,
o Joaquim Letria apresenta, com a sua pena ágil e o sentido de humor que lhe é
característico, um a um, cada protagonista desta história. O Jaime Mendes conta
a passagem a salto para o exílio e os tempos conturbados das campanhas de
dinamização, após o 25 de Abril. O José Gomes Pina fala-nos da sua infância em
terras beirãs e na guerra colonial. O Mário Lino relata a história de muitos
estudantes que chegavam das colónias para estudar em Portugal e a sua passagem
pela Universidade, que marcaram a sua formação e futuro como homem e cidadão.
A
Noémia faz um relato fantástico sobre a sua saída de Portugal, sozinha, com
apenas 19 anos, a passagem por Londres, Paris e pela
Jugoslávia, onde se junta a um grupo de estudantes latino-americanos. Aí
conhece e casa com o jovem pintor chileno Francisco Ariztia que a leva para o
Chile de Allende, de onde tem de fugir debaixo da repressão do regime de Pinochet.
A
Paula lembra a sua família, os tempos passados em África, a sua chegada a
Lisboa para completar o ensino liceal num colégio religioso, e o novo mundo que
se lhe abre com a participação na Associação de Estudantes da Faculdade de
Ciências de Lisboa.
O
Raimundo prende-nos com a sua vida na clandestinidade, a sua estada em Moscovo,
o regresso a Portugal e a actuação da ARA.
Eu,
pelo meu lado, faço uma homenagem à minha família, lembrando a perda do meu
avô. Recordo os tempos da prisão e o meu compromisso presente com os direitos
humanos e os refugiados.
Este
livro que aqui vos apresentamos não é, de maneira nenhuma, um livro saudosista
do passado, é um livro de memórias de uma geração que apostou nos valores da
liberdade, do progresso, da justiça social, e que continua unida para que não
se volte para trás.
2012-11-11
Apresentação de "A FOTO" em Coimbra
No próximo dia 19 de Novembro, segunda-feira, pelas 18h00, realiza~se em Coimbra, na Casa Municipal da Cultura, uma sessão de apresentação do nosso livro.
Os apresentadores serão Manuel Alegre e José Manuel Pureza, o que muito nos honra e sensibiliza e a quem, publicamente, muito agradecemos a disponibilidade manifestada.
Os nossos públicos agradecimentos vão também para a Câmara Municipal de Coimbra, pelo seu apoio à realização desta sessão.
Aqui fica o convite para todos os interessados. Lá vos esperaremos.
Os apresentadores serão Manuel Alegre e José Manuel Pureza, o que muito nos honra e sensibiliza e a quem, publicamente, muito agradecemos a disponibilidade manifestada.
Os nossos públicos agradecimentos vão também para a Câmara Municipal de Coimbra, pelo seu apoio à realização desta sessão.
Aqui fica o convite para todos os interessados. Lá vos esperaremos.
2012-10-21
O nosso livro lá esteve presente no 60º aniversário do Liceu Francês Charles Lepierre, como mostram as fotos aqui juntas. A manifestação artística organizada pelo Liceu e designada " Journée Portes Ouvertes", começou às 14 horas, no sábado passado, com o acesso às exposições artísticas ( Foto 1), projecção da exposição Joana de Vasconcelos e a Literária ( Foto 2,3)
Houve também o lançamento oficial do livro de recordações do Liceu, exposição fotográfica, concerto por dois grupos corais, além de jogos para crianças e de um torneio de futebol de 7, etc...
O nosso livro esteve exposto em 2 salas, ao lado de autores ( antigos alunos ou antigos professores) como Urbano Tavares Rodrigues, Eduarda Dionísio, Baptista Bastos, Isabel Alçada, José Rodrigues Miguéis, Rui Grácio e muitos mais.
Vinte exemplares do livro estavam na banca devido ao esforço da nossa editora a Âncora. Parabéns António Baptista Lopes.
Houve também o lançamento oficial do livro de recordações do Liceu, exposição fotográfica, concerto por dois grupos corais, além de jogos para crianças e de um torneio de futebol de 7, etc...
O nosso livro esteve exposto em 2 salas, ao lado de autores ( antigos alunos ou antigos professores) como Urbano Tavares Rodrigues, Eduarda Dionísio, Baptista Bastos, Isabel Alçada, José Rodrigues Miguéis, Rui Grácio e muitos mais.
Vinte exemplares do livro estavam na banca devido ao esforço da nossa editora a Âncora. Parabéns António Baptista Lopes.
2012-10-09
Fui convidado para lá estar com o nosso livro a FOTO/Reencontro Meio Século depois.
Espero representar com dignidade os outros 7 co-autores.
Jaime Mendes
2012-09-27
Mensagem do António Correia de Campos
Meus caros Zé Gomes de Pina e
Mário Lino,
Li o vosso livro
integralmente, numa viagem a Larnaca, Chipre. Gostei imenso e por várias
razões:
A proximidade com os meus
sonhos, anseios e realizações, muito semelhantes aos vossos, naquelas idades,
pelo menos e creio que também agora.
A nossa origem social muito
próxima: filhos de professores do ensino primário, de sargento e de pequeno
comerciante, afinal a típica classe média em ascensão, na época.
A variedade de experiências de
vida e a franqueza quase ingénua com que todos se desvendaram.
O sentido de fraternidade que
perdura ainda nas vossas relações actuais.
Tinha o livro em cima da minha
mesa quando tive um encontro de trabalho com uma técnica da nossa Representação
Permanente que à saída me confessou ser filha do Eng. Rui Martins, também
constante da foto, o que prolonga a rede para as gerações seguintes.
A qualidade literária da
escrita, que atinge tons novelescos nos depoimentos do Letria e do Narciso,
mantendo todos um alto nível, mesmo quando se preocuparam sobretudo com a
descrição dos contextos.
Finalmente, a ideia de que a
nossa juventude tinha causas e valores.
Como vedes, muitos elementos
justificam o mérito da vossa iniciativa. Tenho pena de não conseguir inserir-me
em uma semelhante.
Parabéns a todos e todas com
natural permissão de circularem esta mensagem a quem entenderem. E obrigado ao
Zé Pina pelo livro e dedicatória.
Abraço amigo
António Correia de Campos
2012-08-22
2012-07-27
O FERNANDO SILVEIRA RAMOS e a despedida meio século depois

Conheci o Fernando Silveira Ramos em 1962. Na altura, estávamos a estudar Engenharia Civil no Instituto Superior Técnico, em Lisboa, eu no 4º ano e ele no 3º ano.
Ao longo deste meio século fomos forjando uma grande amizade e cumplicidade, cimentada na convivência e partilha de inúmeros actos e acontecimentos importantes das nossas vidas: a participação no movimento associativo estudantil; os respectivos namoros e casamentos; o nascimento e crescimento dos nossos filhos e netos; a militância política na luta contra a ditadura e na defesa da liberdade, da democracia e da justiça social; a actividade profissional iniciada no Serviço de Hidráulica do LNEC e, depois, continuada em muitos outros projectos e iniciativas; o serviço militar obrigatório que fizemos juntos em Mafra e em Tancos; os inúmeros fins de semana passados no Casarão, empreendimento que construímos na Ericeira com outros dois casais amigos e onde convivíamos com muitos outros, cozinhávamos belos petiscos, fazíamos bricolage na nossa oficina e tratávamos do nosso viveiro de pássaros; os muitos passeios e viagens que fizemos com as nossas companheiras e, por vezes, com os filhos e os netos, em Portugal e no estrangeiro.
Recordo, com muita saudade, essas viagens, como aquela que fizémos de férias na Tunísia, em Dezembro de 2006.
Recordo, com muita saudade, essas viagens, como aquela que fizémos de férias na Tunísia, em Dezembro de 2006.
O Fernando foi sempre uma pessoa alegre, bem disposta, participativa, com grande espírito de iniciativa e criatividade.
Quando o livro A FOTO estava a ser preparado, acompanhou sempre, com atenção e interesse, a sua elaboração, tendo participado com a Milú, sua companheira, nos dois almoços que fizemos na Ericeira para discutir a evolução dos respectivos trabalhos, contribuindo também com as suas críticas e sugestões.
Era inteligente, acutilante na argumentação, frontal, determinado e com grande capacidade de concretizar ideias, planos e projectos. Era uma pessoa séria, honesta, um homem solidário, de princípios e convicções.
Ao longo da sua vida, distinguiu-se sempre como um cidadão consciente e muito empenhado, assim como um excelente e reconhecido profissional, tendo prestado ao nosso país relevantes serviços.
Ao longo da sua vida, distinguiu-se sempre como um cidadão consciente e muito empenhado, assim como um excelente e reconhecido profissional, tendo prestado ao nosso país relevantes serviços.
Assim, no domínio da defesa da liberdade, da democracia e da justiça social, a sua intervenção iniciou-se logo nos tempos de estudante, enquanto activista do movimento associativo estudantil, tendo sido, no ano lectivo 1965/66, Presidente da Junta de Delegados de Curso da Associação dos Estudantes do Instituto Superior Técnico. Nesse período, foi também um acérrimo opositor da ditadura do Estado Novo. Após o 25 de Abril, foi dirigente do MDP/CDE durante quase 20 anos, até 1994, tendo participado depois, activamente, no processo da sua transformação no movimento Política XXI de que foi dirigente até 1999 e, na sequência, um dos fundadores do Bloco de Esquerda, integrando a sua primeira Mesa Nacional. No domínio profissional, para além da notoriedade e reconhecimento como Engenheiro Civil, especialista nas áreas da Hidráulica Marítima e da Engenharia Portuária, foi Técnico Superior do Laboratório Nacional de Engenharia Civil entre 1967 e 1972, integrou o quadro técnico da Consulmar - Projectistas e Consultores, Lda. desde 1970, tendo sido seu Director, bem como Administrador de várias empresas asociadas da área da Consultoria e Projecto, entre 1981 e 2011, e Presidente do Conselho de Administração da OC - Organização de Consultores, SGPS, SA, holding do grupo, desde 1997. Foi também membro dos órgãos de várias associações científicas e técnicas, entre os quais Presidente da Associação Portuguesa de Projectistas e Consultores, entre 1998 e 2006, Vice-Presidente do Conselho Científico e Tecnológico do Instituto para a Ciência e Tecnologia do Mar, entre 1998 e 2002, e membro da Direcção do Centro da Engenharia das Ondas, entre 2003 e 2009.
Em consequência desta actividade, foi agraciado em 2005, pelo Presidente da República, Dr. Jorge Sampaio, com o grau de Grande Oficial da Ordem de Mérito Agrícola, Comercial e Industrial. Foi-lhe também atribuído, em 2009, o Prémio Fernando Abecasis de Excelência de Carreira, pela Delegação Portuguesa da International Navigation Association (PIANC) e, em 2010, o Prémio Secil de Engenharia Civil, em resultado da sua intervenção enquanto reaponsável pela Direcção e Coordenação Geral do Projecto do Molhe Norte da Barra do Douro e, em particular, pela relevância da sua contribuição para a criatividade das soluções técnicas adoptadas. O Prémio Secil de Engenharia Civil, instituído pela empresa Secil, SA em 1995 e cuja atribuição é organizada em colaboração com a Ordem dos Engenheiros, constitui o mais importante galardão da Engenharia Civil em Portugal, muitas vezes também qualificado como o Prémio Nobel da Engenharia Civil Portuguesa. Acompanhei de perto a construção desta importante obra de engenharia que decorreu praticamente toda durante o meu mandato como Ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, e tive o grande prazer de a inaugurar em Março de 2009. Lembro-me até de, no meu discurso de inauguração, ter referido tratar-se de um empreendimento que reunia todas as condições para se candidatar, com sucesso, a qualquer prémio, nacional ou internacional, atribuível a uma obra de engenharia civil. E, na realidade, assim veio a acontecer, com inteiro mérito, reforçado pelo facto de ser a primeira vez que o Prémio Secil de Engenharia Civil distinguiu uma obra marítima.
Um dos últimos projectos científicos em que o Fernando se envolveu profundamente foi o da concepção e contrução de um modelo reduzido de um equipamento que aproveitasse a energia das marés para "consumo" de um instrumento musical do tipo aerofone ou, por outras palavras, que aproveitasse o movimento das marés para comprimir ar num reservatório e utilizar esse ar comprimido para produzir música atraves de um órgão - o órgão de maré. O objectivo era vir a construir este equipamento na margem direita do troço terminal do estuário do rio Douro. A ideia foi desenvovida ao longo de alguns meses na nosa oficina do Casarão, na Ericeira, e eu tive o prazer de colaborar com o Fernando nesta fase do projecto. Divertímo-nos imenso com a evolução dos trabalhos e o Fernando até levou ao Casarão o organeiro do Convento de Mafra para discutirmos com ele a ideia e percebermos melhor como funcionava um órgão. A apresentação pública deste projecto foi feita pelo Fernando em Outubro de 2011, através de uma comunicação às 7.ªs Jornadas de Engenharia Costeira e Portuária da PIANC, realizadas no Porto.
Um dos últimos projectos científicos em que o Fernando se envolveu profundamente foi o da concepção e contrução de um modelo reduzido de um equipamento que aproveitasse a energia das marés para "consumo" de um instrumento musical do tipo aerofone ou, por outras palavras, que aproveitasse o movimento das marés para comprimir ar num reservatório e utilizar esse ar comprimido para produzir música atraves de um órgão - o órgão de maré. O objectivo era vir a construir este equipamento na margem direita do troço terminal do estuário do rio Douro. A ideia foi desenvovida ao longo de alguns meses na nosa oficina do Casarão, na Ericeira, e eu tive o prazer de colaborar com o Fernando nesta fase do projecto. Divertímo-nos imenso com a evolução dos trabalhos e o Fernando até levou ao Casarão o organeiro do Convento de Mafra para discutirmos com ele a ideia e percebermos melhor como funcionava um órgão. A apresentação pública deste projecto foi feita pelo Fernando em Outubro de 2011, através de uma comunicação às 7.ªs Jornadas de Engenharia Costeira e Portuária da PIANC, realizadas no Porto.
No início de 2008, foi diagnosticado ao Fernando um tumor carcinóide intestinal, doença relativamente rara, muito grave e difícil de controlar. Tanto eu como a Paula seguimos sempre, muito de perto, a evolução da sua doença, tendo-o acompanhado diversas vezes, bem como a Milú, nas suas consultas aos médicos, tanto em Portugal como no estrangeiro, onde o seu estado era regularmente seguido por especialistas neste tipo de doença.
Apesar de toda a atenção e acompanhamento que lhe foram dispensados pelos seus médicos, o seu estado de saúde sofreu, nos últimos meses, um nítido e rápido agravamento, tendo-lhe sido recomendada a substituição urgente de duas válvulas do coração. O seu estado de saúde já nem lhe permitiu ir à sessão de lançamento do nosso livro A FOTO, como muito gostaria. A intervenção cirúrgica ocorreu no dia 30 de Junho, mas o Fernando não conseguiu ultrapassar a fase pós-operatória, tendo falecido no dia 14 de Julho, com 71 anos de idade.
Eu e o Fernando tínhamos, em geral, uma forma muito fácil de comunicar, de “acertar agulhas”, mesmo quando abordávamos questões mais difíceis ou complexas: uma curta frase, mesmo uma só palavra ou um olhar bastavam para estarmos em sintonia. A nossa confiança mútua era inabalável. A Milú dizia muitas vezes que as nossas cabeças pareciam que se encaixavam perfeitamente, que se complementavam.
Mas tínhamos também, por vezes, muitas diferenças na forma como analisávamos situações, acontecimentos e problemas, o que dava origem a grandes e acesas discussões, a ponto de, quando a Milú e a Paula estavam presentes, elas se zangarem seriamente connosco e nos deixarem a discutir sozinhos. Mas nós dizíamos que essas discussões serviam para reforçar a nossa amizade.
Um dos motivos recorrentes de discussão tinha a ver com a maior ou menor urgência com que cada um de nós gostava de resolver um problema, ultrapassar uma dificuldade ou concretizar um objectivo:
- Não deixes para amanhã o que podes fazer hoje, dizia-lhe eu, ao que ele, invariavelmente, retorquia:
- Não faças hoje o que podes fazer amanhã.
Por isso não consigo compreender porque é que, desta vez, o Fernando não seguiu o seu critério e não adiou a sua partida. E custa-me muito ter de aceitar esta despedida.
2012-07-25
A FOTO
Mais uma referência ao livro, desta vez foi no jornal do INATEL TempoLivre Nº 239 de Julho/Agosto de 2012
Para quem não consegue ler o texto aqui vai:
Titulo: Jorge Sampaio apresentou livro
de Mário Lino
e Joaquim Letria
Jorge Sampaio, alto representante da ONU para a Aliança das Civilizações e antigo Presidente da República, apresentou, no Salão Nobre da Reitoria da Universidade de Lisboa o livro A Foto - Eo Reencontro Meio Século Depois, de Jaime Mendes, Joaquim Letria, José Gomes de Pina, Mário Lino, Noémia de Ariztia, Paula Mourão, Raimundo Narciso e Teresa Tito de Morais. A sessão contou com uma intervenção musical de Carlos Mendes. A obra tem origem numa fotografia tirada em 1963, no campo de futebol da Associação de Estudantes do Instituto Superior Técnico (AEIST), sendo escrita por oito dos estudantes retratados. Na época, eram activistas do movimento associativo universitário e liceal, que se destacaram pela luta determinada, no plano cultural e politico, contra a ditadura que então assolava Portugal
2012-07-11
"Uma foto oito itinerários"
O Jornal de Letras (11 a 24 de Julho de 2012) Na sua secção Ideias/Crónica, Estante traz uma recensão do livro a FOTO. Como não é assinada presumo que se trate da responsabilidade da direcção, eventualmente do director José Carlos de Vasconcelos.
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