
Confirmámos que o Gomes de Pina é um apaixonado pela
sua terra natal, a bela cidade de Viseu e após a visita guiada que por ela nos
ofereceu confirmámos que a vetusta e simultaneamente moderna capital das Beiras
é credora do maior apreço.
Eram quatro os carros com os autores e editor
que rumaram à terra de Viriato, na manhã de 15 de Fevereiro. Confortados, ao almoço, com o
leitão de Bairrada aportámos ao hotel em que Pina nos reservara
assento bem a tempo para um aprazível café na esplanada do jardim Tomás Ribeiro,
no Rossio, antes da nossa partida para o Solar do Vinho do Dão.
Não vale a pena dizer, a cada passo, quem
reservou hotel, quem obteve a sala do Solar, quem escolheu os excelentes
restaurantes e reservou as mesas, quem convidou os apresentadores, quem atraiu
a assistência, quem nos guiou pelos museus e pela arte sacra da igreja de S.
Francisco ou da Sé de Viseu. Foi o Pina. Foi tudo o Pina com o cunho de
excelência, com o profissionalismo inexcedível de que ele tem o segredo.
No Solar do vinho do Dão fomos recebidos e acompanhados, com
charme e simpatia, na sessão de apresentação e na prova de vinhos pela Drª Rita
Barros .
A Sala estava cheia. As cadeiras da 1ª fila
prudentemente, mas sem razão, deixadas vazias pela assistência foram
compensadas por quem em pé, lá ao fundo, dispensou assento. Na mesa, comprida
de dez lugares, os autores tinham o aspeto próprio de consagrados escritores e
os apresentadores, julgando talvez ser para isso que os convidaram, garantiram
a qualidade literária e o alcance histórico da obra com argumentação à prova do
mais reticente ceticismo.
De acordo com o cânone falou em primeiro lugar o editor da
Âncora, o Dr. António Baptista Lopes que revelou a importância cultural do
livro, quão indispensável ele era na biblioteca de cada um dos presentes. O
discurso foi bonito, que ele está muito treinado nestas andanças, não disse
precisamente aquilo mas foi o que eu, aprovando, entendi. Falou em seguida em
nome dos autores, o nosso anfitrião José Gomes de Pina que discorreu sobre o
livro e a sua génese e agradeceu a participação dos presentes muito
especialmente a pronta disponibilidade dos apresentadores do livro que, como viseenses
ilustres, justamente enalteceu.
O primeiro a apresentar A FOTO foi o Coronel Fernando Figueiredo um conhecido e estimado militar
de Viseu, atento à realidade da sua terra e do país bem refletida no seu blogue
Viseu Senhora da Beira. A publicação aqui
da sua intervenção, dois posts
abaixo, dispensa-me de a referir mas não de sublinhar quanto a apreciámos. Com
a sessão de apresentação, o jantar em comum e o convívio que proporcionaram,
posso dizer sem errar, que ficou para nós um amigo.
Por último falou o
ex-ministro da Saúde, Professor Doutor António Correia de Campos, cidadão
ilustre de Viseu. Poderia referir a excelência do seu trabalho como
ministro, ou a atividade que desenvolve a partir do Parlamento Europeu, ou a
pedagogia cívica e política dos seus artigos de opinião com que melhora o
jornal O Público mas tudo isso é bem conhecido e poderia ser tomado por
retórica parcial. A sua intervenção cativou a todos como era de esperar de um político
íntegro munido de sólida cultura.
O Jantar que se seguiu com uma boa parte da
assistência e os nossos amigos que apresentaram o livro contou com a presença
mas num outro grupo, do autarca mais conhecido da região, Fernando Ruas. Creio
ter sido obra do acaso e não um preciosismo do anfitrião Gomes de Pina cioso em
nos mostrar tudo, Viseu e as autoridades de Viseu. Uma referência especial tem de ir, no entanto, para
a bela voz de Glória Paiva, uma fadista local que sabe cantar e animou o
momento.
A manhã de Sábado - pela mão do Zé Pina, já se sabe -
levou-nos ao bonito Parque da Cidade, muito limpo e bem arranjado, depois ao
grande e belíssimo monumento que é a Sé de Viseu. Logo ali ao Lado esperava-nos
o Museu Grão Vasco, já de todos conhecido, mas que voltámos a visitar com renovada curiosidade. A grande referência do museu é a obra de Vasco Fernandes – o Grão
Vasco, grande mestre do sec. XVI, que está na origem da “escola de Viseu” e a da sua oficina coletiva.
Fomos beneficiados na visita pelo profissionalismo da técnica
do museu Hélia Cabido que com simpatia nos ia revelando pormenores ou
sublinhando aspetos mais marcantes da obra de Vasco Fernandes ou de Gaspar Vaz.
Revisitámos obras tão belas como «S. Pedro», «Pentecostes», «Anunciação», a
«Ceia», os catorze painéis que engrandeciam a capela-mor da Sé, parte de um
conjunto maior do qual os outros levaram sumiço. Não ficámos pelos mestres quinhentistas e apreciámos a pintura maneirista e naturalista do século XIX e XX, quadros
de José Malhoa, Columbano Bordalo
Pinheiro ou Silva Porto.
Tantos séculos de pintura despertou-nos uma irresistível
fome que não apanhou desprevenido o nosso infatigável Gomes de Pina que logo
ali nos encaminhou para o restaurante Santa Luzia, uma referência na região que
produziu o milagre de nos oferecer tais iguarias que jurámos arranjar novos e
bons pretextos para lá voltar. A
alta qualidade, informei-me, é garantida por dois irmãos, os donos do famoso restaurante, cujas esposas na cozinha dão vida à
magia gastronómica.
Apaziguados os estômagos e rendidos às artes
culinárias do Santa Luzia o Pina não nos deixou partir para Lisboa sem uma
visita, mesmo que rápida, ao Museu do
Quartzo – Centro de interpretação Galopim de Carvalho, no cimo do monte de Stª Luzia que oferece do seu miradouro um
bonita vista da cidade. O Museu recupera o espaço degradado pela exploração de
quartzo iniciada há mais de quatro décadas. O museu para além de uma boa coleção de cristais de quartzo da exploração local está
apetrechado de moderno equipamentos multimédia interativo que suscita um salutar
apelo ao conhecimento da Geologia e até das entranhas do planeta terra. Disponibiliza também um laboratório, em sala ao lado, em que se podem testar as
principais características do quartzo. O museu oferece visitas guiadas grátis a
grupos de alunos mediante marcação e que constituirão sem dúvida uma
experiência didática inesquecível.
No regresso a Lisboa dei por mim a meditar que, dada a excelência
do que Viseu e a Beira oferecem não terá sido por acaso que o Pina terá
escolhido o título de O BEIRÃO para a sua prestação no nosso livro.
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Nota: Só depois de publicado este post o Gomes de Pina me revelou que afinal o jantar que acima descrevo tinha outra génese era um jantar organizado pelos seus seus amigos e ex-colegas finalistas do liceu de 1959, que assim o quiseram surpreender. E a nós.
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Nota: Só depois de publicado este post o Gomes de Pina me revelou que afinal o jantar que acima descrevo tinha outra génese era um jantar organizado pelos seus seus amigos e ex-colegas finalistas do liceu de 1959, que assim o quiseram surpreender. E a nós.
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Precedendo o lançamento do livro A FOTO em Viseu, na semana passada, o Jornal do Centro que se publica nesta cidade fez referência ao evento como podereis ver na imagem.

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