A FOTO
2013-03-01
A Foto vista de Viseu
O Jornal do Centro (Viseu) noticiou assim a apresentação de A Foto na capital beirã.
Nota: em pé vê-se o Coronel Fernando Figueiredo, que com o ex-ministro Professor Correia de Campos, apresentou o livro.
2013-02-21
"A Foto e o reencontro meio século depois" em Viseu e no Youtube
Sobre a apresentação do livro "A Foto e o reencontro meio século depois", em Viseu, em 15 de Fevereiro passado, apareceu-me hoje na caixa de correio um vídeo, que aqui vos ofereço, sobre o evento escrutinável até ao pormenor nos posts que antecedem este.
Mas quem me enviou tal prenda? Pois nem mais nem menos que o Sr. "Alerta do Google" a quem deixo os meus agradecimentos mas não responde à minha interrogação: Quem fez o vídeo? Concluo, pelo anúncio, que terá sido o Solar do Vinho do Dão que simpaticamente nos deu guarida à apresentação e nos ofereceu uns copos no fim.
Agora aqui entre nós, off record, para escapar ao "Alerta do Google", se este tipo o Google sabe que eu gostaria deste vídeo certamente sabe muito mais a meu e a vosso respeito. E até onde? Até onde vai a devassa da nossa vida privada por este cavalheiro a que acresce agora, a bizarria das facturas com nº fiscal, a devassa Big Brother do Gaspar, do Passos, do Relvas e dos seus patrões da tróica?
Esqueçam. Foi um desabafo. Vejam o vídeo se vos apetecer. Em especial a nossa Mata Hari. (Isto da Mata Hari é mensagem cifrada, é só para a seita d' O LIVRO).
Mas quem me enviou tal prenda? Pois nem mais nem menos que o Sr. "Alerta do Google" a quem deixo os meus agradecimentos mas não responde à minha interrogação: Quem fez o vídeo? Concluo, pelo anúncio, que terá sido o Solar do Vinho do Dão que simpaticamente nos deu guarida à apresentação e nos ofereceu uns copos no fim.
Agora aqui entre nós, off record, para escapar ao "Alerta do Google", se este tipo o Google sabe que eu gostaria deste vídeo certamente sabe muito mais a meu e a vosso respeito. E até onde? Até onde vai a devassa da nossa vida privada por este cavalheiro a que acresce agora, a bizarria das facturas com nº fiscal, a devassa Big Brother do Gaspar, do Passos, do Relvas e dos seus patrões da tróica?
Esqueçam. Foi um desabafo. Vejam o vídeo se vos apetecer. Em especial a nossa Mata Hari. (Isto da Mata Hari é mensagem cifrada, é só para a seita d' O LIVRO).
2013-02-19
A FOTO foi a Viseu
Gabriela, Raimundo, Mário, Pina, Noémia no adro da Sé de Viseu
O Zé Gomes de Pina, que no seu/nosso livro se apresenta sob
as vestes de O BEIRÂO foi inexcedível no rigor, na organização e na solicitude
que se impôs na tarefa de anfitrião na romagem que os autores de A FOTO fizeram a Viseu para assistir
aqui à sua apresentação em 15 do corrente Fevereiro.
O Zé Gomes de Pina, que no seu/nosso livro se apresenta sob
as vestes de O BEIRÂO foi inexcedível no rigor, na organização e na solicitude
que se impôs na tarefa de anfitrião na romagem que os autores de A FOTO fizeram a Viseu para assistir
aqui à sua apresentação em 15 do corrente Fevereiro.
Confirmámos que o Gomes de Pina é um apaixonado pela
sua terra natal, a bela cidade de Viseu e após a visita guiada que por ela nos
ofereceu confirmámos que a vetusta e simultaneamente moderna capital das Beiras
é credora do maior apreço.
Eram quatro os carros com os autores e editor
que rumaram à terra de Viriato, na manhã de 15 de Fevereiro. Confortados, ao almoço, com o
leitão de Bairrada aportámos ao hotel em que Pina nos reservara
assento bem a tempo para um aprazível café na esplanada do jardim Tomás Ribeiro,
no Rossio, antes da nossa partida para o Solar do Vinho do Dão.
Não vale a pena dizer, a cada passo, quem
reservou hotel, quem obteve a sala do Solar, quem escolheu os excelentes
restaurantes e reservou as mesas, quem convidou os apresentadores, quem atraiu
a assistência, quem nos guiou pelos museus e pela arte sacra da igreja de S.
Francisco ou da Sé de Viseu. Foi o Pina. Foi tudo o Pina com o cunho de
excelência, com o profissionalismo inexcedível de que ele tem o segredo.
No Solar do vinho do Dão fomos recebidos e acompanhados, com
charme e simpatia, na sessão de apresentação e na prova de vinhos pela Drª Rita
Barros .
A Sala estava cheia. As cadeiras da 1ª fila
prudentemente, mas sem razão, deixadas vazias pela assistência foram
compensadas por quem em pé, lá ao fundo, dispensou assento. Na mesa, comprida
de dez lugares, os autores tinham o aspeto próprio de consagrados escritores e
os apresentadores, julgando talvez ser para isso que os convidaram, garantiram
a qualidade literária e o alcance histórico da obra com argumentação à prova do
mais reticente ceticismo.
De acordo com o cânone falou em primeiro lugar o editor da
Âncora, o Dr. António Baptista Lopes que revelou a importância cultural do
livro, quão indispensável ele era na biblioteca de cada um dos presentes. O
discurso foi bonito, que ele está muito treinado nestas andanças, não disse
precisamente aquilo mas foi o que eu, aprovando, entendi. Falou em seguida em
nome dos autores, o nosso anfitrião José Gomes de Pina que discorreu sobre o
livro e a sua génese e agradeceu a participação dos presentes muito
especialmente a pronta disponibilidade dos apresentadores do livro que, como viseenses
ilustres, justamente enalteceu.
O primeiro a apresentar A FOTO foi o Coronel Fernando Figueiredo um conhecido e estimado militar
de Viseu, atento à realidade da sua terra e do país bem refletida no seu blogue
Viseu Senhora da Beira. A publicação aqui
da sua intervenção, dois posts
abaixo, dispensa-me de a referir mas não de sublinhar quanto a apreciámos. Com
a sessão de apresentação, o jantar em comum e o convívio que proporcionaram,
posso dizer sem errar, que ficou para nós um amigo.
Por último falou o
ex-ministro da Saúde, Professor Doutor António Correia de Campos, cidadão
ilustre de Viseu. Poderia referir a excelência do seu trabalho como
ministro, ou a atividade que desenvolve a partir do Parlamento Europeu, ou a
pedagogia cívica e política dos seus artigos de opinião com que melhora o
jornal O Público mas tudo isso é bem conhecido e poderia ser tomado por
retórica parcial. A sua intervenção cativou a todos como era de esperar de um político
íntegro munido de sólida cultura.
O Jantar que se seguiu com uma boa parte da
assistência e os nossos amigos que apresentaram o livro contou com a presença
mas num outro grupo, do autarca mais conhecido da região, Fernando Ruas. Creio
ter sido obra do acaso e não um preciosismo do anfitrião Gomes de Pina cioso em
nos mostrar tudo, Viseu e as autoridades de Viseu. Uma referência especial tem de ir, no entanto, para
a bela voz de Glória Paiva, uma fadista local que sabe cantar e animou o
momento.
A manhã de Sábado - pela mão do Zé Pina, já se sabe -
levou-nos ao bonito Parque da Cidade, muito limpo e bem arranjado, depois ao
grande e belíssimo monumento que é a Sé de Viseu. Logo ali ao Lado esperava-nos
o Museu Grão Vasco, já de todos conhecido, mas que voltámos a visitar com renovada curiosidade. A grande referência do museu é a obra de Vasco Fernandes – o Grão
Vasco, grande mestre do sec. XVI, que está na origem da “escola de Viseu” e a da sua oficina coletiva.
Fomos beneficiados na visita pelo profissionalismo da técnica
do museu Hélia Cabido que com simpatia nos ia revelando pormenores ou
sublinhando aspetos mais marcantes da obra de Vasco Fernandes ou de Gaspar Vaz.
Revisitámos obras tão belas como «S. Pedro», «Pentecostes», «Anunciação», a
«Ceia», os catorze painéis que engrandeciam a capela-mor da Sé, parte de um
conjunto maior do qual os outros levaram sumiço. Não ficámos pelos mestres quinhentistas e apreciámos a pintura maneirista e naturalista do século XIX e XX, quadros
de José Malhoa, Columbano Bordalo
Pinheiro ou Silva Porto.
Tantos séculos de pintura despertou-nos uma irresistível
fome que não apanhou desprevenido o nosso infatigável Gomes de Pina que logo
ali nos encaminhou para o restaurante Santa Luzia, uma referência na região que
produziu o milagre de nos oferecer tais iguarias que jurámos arranjar novos e
bons pretextos para lá voltar. A
alta qualidade, informei-me, é garantida por dois irmãos, os donos do famoso restaurante, cujas esposas na cozinha dão vida à
magia gastronómica.
Apaziguados os estômagos e rendidos às artes
culinárias do Santa Luzia o Pina não nos deixou partir para Lisboa sem uma
visita, mesmo que rápida, ao Museu do
Quartzo – Centro de interpretação Galopim de Carvalho, no cimo do monte de Stª Luzia que oferece do seu miradouro um
bonita vista da cidade. O Museu recupera o espaço degradado pela exploração de
quartzo iniciada há mais de quatro décadas. O museu para além de uma boa coleção de cristais de quartzo da exploração local está
apetrechado de moderno equipamentos multimédia interativo que suscita um salutar
apelo ao conhecimento da Geologia e até das entranhas do planeta terra. Disponibiliza também um laboratório, em sala ao lado, em que se podem testar as
principais características do quartzo. O museu oferece visitas guiadas grátis a
grupos de alunos mediante marcação e que constituirão sem dúvida uma
experiência didática inesquecível.
No regresso a Lisboa dei por mim a meditar que, dada a excelência
do que Viseu e a Beira oferecem não terá sido por acaso que o Pina terá
escolhido o título de O BEIRÃO para a sua prestação no nosso livro.
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Nota: Só depois de publicado este post o Gomes de Pina me revelou que afinal o jantar que acima descrevo tinha outra génese era um jantar organizado pelos seus seus amigos e ex-colegas finalistas do liceu de 1959, que assim o quiseram surpreender. E a nós.
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Nota: Só depois de publicado este post o Gomes de Pina me revelou que afinal o jantar que acima descrevo tinha outra génese era um jantar organizado pelos seus seus amigos e ex-colegas finalistas do liceu de 1959, que assim o quiseram surpreender. E a nós.
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Precedendo o lançamento do livro A FOTO em Viseu, na semana passada, o Jornal do Centro que se publica nesta cidade fez referência ao evento como podereis ver na imagem.

2013-02-18
O BEIRÃO em Viseu, no Solar do Vinho do Dão
O BEIRÃO é, como muitos já sabem, o nosso amigo José Gomes de Pina, co-autor do livro A FOTO que nesta 6ª feira, 15 de Fevereiro, de 2013 teve o seu lançamento em Viseu, nas instalações do Solar do Vinho do Dão. São dele as palavras que se seguem e então nos ofereceu, em representação dos autores, na cerimónia da apresentação do livro.
Em nome dos oito autores do livro “A FOTO e o Reencontro Meio Século Depois”,
cabe-me, aqui em Viseu, na minha terra natal, o que me enche de orgulho e
grande alegria, saudar todos os presentes, onde reconheço tantos amigos, colegas
do Liceu e familiares, e dar-vos as boas-vindas nesta sessão de apresentação e
divulgação do nosso livro, à semelhança, aliás, do que o Raimundo
Narciso , a Teresa Tito de Morais e o Mário
Lino já fizeram nas sessões realizadas anteriormente.
O livro foi editado em Junho de 2012 e a sessão de lançamento
realizou-se em 11 de Junho no Salão Nobre da Reitoria da Universidade de
Lisboa, contando com as intervenções do Dr. Jorge Sampaio e do Reitor, Prof.
Dr. Sampaio da Nóvoa.
A apresentação em Coimbra foi feita no dia 19 de Novembro, com a participação de Manuel Alegre e do Prof. Dr. José Manuel Pureza e no Porto, no dia 30, com intervenções do Dr. José Ilídio Ribeiro e do Prof. Dr. Augusto Santos Silva.
A apresentação em Coimbra foi feita no dia 19 de Novembro, com a participação de Manuel Alegre e do Prof. Dr. José Manuel Pureza e no Porto, no dia 30, com intervenções do Dr. José Ilídio Ribeiro e do Prof. Dr. Augusto Santos Silva.
Agradecemos à Comissão Vitivinícola Regional do Vinho do Dão e ao
seu Presidente Dr. Arlindo Cunha a disponibilidade e o apoio manifestados com a
cedência do Solar do Vinho do Dão, situado no Parque do Fontelo, incluindo um
Dão de Honra, a fazer jus ao vinho que tem levado Viseu e a sua região por esse
mundo fora. Uma palavra de simpatia para a Dr.ª Graça Silva e à Dr.ª Rita
Barros pela sua eficiente contribuição e empenho inexcedível na preparação
desta sessão.
Renovar os nossos agradecimentos à Editora Âncora e ao Dr. António
Baptista Lopes que desde o primeiro contacto nos acolheu com grande entusiasmo,
incentivando a conclusão do livro e permitindo, com a sua publicação, a
concretização do nosso projecto.
Aproveito também para agradecer ao Jornal do Centro, de quem sou,
aliás, leitor habitual on-line, e a alguns blogues, como é o caso do Olho de
Gato, O Viseu, Tribuna de Viseu e do Indo eu, Indo eu…, que além do
VSB, também divulgaram o nosso convite.
A apresentação do livro nesta sessão vai ser feita pelo Coronel Fernando Figueiredo e pelo Prof. Dr. António Correia de Campos, também eles ligados por fortes laços a Viseu e a quem os autores manifestam, desde já, o seu muito apreço e agradecimento.
A apresentação do livro nesta sessão vai ser feita pelo Coronel Fernando Figueiredo e pelo Prof. Dr. António Correia de Campos, também eles ligados por fortes laços a Viseu e a quem os autores manifestam, desde já, o seu muito apreço e agradecimento.
Só acabei por conhecer pessoalmente o Coronel Fernando Figueiredo
há relativamente pouco tempo, quando, finalmente, nos pudemos encontrar em
Lisboa, após anos de contactos frequentes através do Viseu Senhora da Beira, em
minha opinião, o blogue de referência em Viseu.
O autor propunha-se abrir “um olhar crítico, independente e
exigente sobre as terras e gentes da região de Viriato” e, de facto o blogue VSB
veio a constituir uma autentica pedrada no charco do marasmo da vida local,
numa cidade do interior do país, tradicionalmente conservadora.
Tendo feito inicialmente comentários esporádicos noutros blogues de
Viseu, acabei por encontrar neste blogue, campo para uma intervenção mais
frequente, pelo que, quando comemorou os oito anos de existência, enviei este
comentário:
“Meu caro Bazookas (durante muito tempo o autor do blogue, que se dava a conhecer por
este pseudónimo, designando cada comentário por uma “bazookada”, constituía uma
incógnita quanto à sua verdadeira identidade, desvendada somente, há cerca de
três anos, quando este prestigiado militar o pôde legalmente fazer, após a sua
passagem à reserva):
Não me tinha dado conta do tempo que já passou, afinal tanta água que
foi correndo por baixo das pontes do Pavia... No meu primeiro comentário feito no
seu blogue, em Março de 2005, dizia eu ao meu amigo:
...Realmente a minhas felicitações vão para quem teve a iniciativa
de abrir um espaço onde, de certo modo, se vai expondo e provocando, julgo eu
na pretensão de estimular o seu concidadão a discutir questões mais sérias e algumas
outras só de simples actualidade. Mas também, e isso tocou-me, pelo seu demonstrado
amor a Viseu, consciente e interventivo.
E aludindo à minha crescente intervenção no blogue, justificava-me,
dizendo-lhe:
"...pois entendo ser também meu dever contribuir de forma honesta e
interessada para o debate cívico. E o seu blogue, na maioria dos postes
apresentados, cumpre bem esse objectivo, para além do debate se centrar nos grandes
problemas de Viseu e assim podermos interagir com os nossos conterrâneos, na
reflexão conjunta sobre algumas realidades, de que cada um, claro, terá a sua
própria visão. Como pode ver, passados estes “breves” oito anos, o VSB cá está
cumprindo o seu papel, alargando os horizontes do debate local,
tradicionalmente fechado e pobre, trazendo à blogosfera local uma dinâmica
diferente, mexendo com as pessoas, incomodando-as, desinibindo o diálogo,
afoitando-as, dando-lhes oportunidade para uma abertura de espírito a que não
estavam habituadas.
E isto o meu amigo foi fazendo, à custa de muito suor, por certo,
que estas coisas não nascem feitas! Que grande “bazookada” o meu amigo deu
nesta cidade...Como viseense, vivendo longe, o meu muito obrigado por tudo isto
e que mantenha o ânimo e o empenho de sempre.
Um grande abraço do Beirão (é este o pseudónimo que utilizo)".
Ora quando as pessoas fazem amizade pelo que pensam e escrevem, concretizando na “blogosfera” esse entendimento, mesmo não se conhecendo pessoalmente durante tanto tempo, que mais posso dizer?... Direi somente que foram estas as razões que dei aos meus amigos autores para formularmos o convite ao Fernando Figueiredo, que eles não conheciam, para apresentar o nosso livro em Viseu, conjuntamente com o António Correia de Campos.
Ora quando as pessoas fazem amizade pelo que pensam e escrevem, concretizando na “blogosfera” esse entendimento, mesmo não se conhecendo pessoalmente durante tanto tempo, que mais posso dizer?... Direi somente que foram estas as razões que dei aos meus amigos autores para formularmos o convite ao Fernando Figueiredo, que eles não conheciam, para apresentar o nosso livro em Viseu, conjuntamente com o António Correia de Campos.
O Coronel de Infantaria na Reserva Fernando Figueiredo é
licenciado pela Academia Militar com o Curso de Ciências Sócio Militares.
Possui ainda vários cursos e estágios e uma pós-graduação em Gestão de Recursos
Humanos. Ao longo da sua carreira prestou serviço em diversas Unidades
e Estabelecimentos do Exército, tendo desempenhado nos últimos anos, entre
outras, as funções de Chefe de Repartição da Divisão de Pessoal do Estado Maior
do Exército, de 2.º Comandante do RI 14, em Viseu e de Comandante do RI 3, em
Beja.
Cumpriu missões internacionais, ao serviço da ONU, em Timor-Leste,
como Comandante do 2.º BI/BLI e ao serviço da NATO, no Iraque, como National C2
Advisor no Centro de Operações Nacional, junto do 1º Ministro Iraquiano.
No foro civil, foi membro do Centro Distrital de Operações de
Protecção Civil de Viseu e Guarda e do Núcleo Distrital do Projecto Vida de
Viseu, Presidente e Fundador do Clube de Orientação de Viseu e membro dos
Corpos Sociais da Federação de Andebol de Portugal. Formador em diversos cursos
do CFP de Viseu, conferencista em diversas acções do Ensino Superior
Universitário, é autor do blogue Viseu Senhora da Beira e colaborador regular
do Jornal do Centro.
Concluo, lendo um excerto que retirei de um poste recente do
Fernando no VSB, por certo um desabafo seu, por algum paralelo com atitudes que,
noutros tempos e noutro contexto, também os autores da FOTO tiveram de tomar:
Dizia ele… “recordar que cabe às oposições, ontem como hoje, escrutinar
o poder. Não há oposição sem escolher o “lado”. Mais do que ser de um partido,
é preciso “tomar partido”!
"…O cidadão, o viseense, deseja saber mais, participar mais e
avaliar por si se, de facto, as diferenças económicas e sociais estão
diminuindo ou se, pelo contrário, quem nos governa apenas se governa a si
próprio e aos seus!
Entretanto, sem uma oposição capaz de desmistificar tudo o que
seja mera justificação publicitária do poder e de chamar a atenção para os
valores fundamentais da sociedade democrática, só poderão ocorrer mudanças nas
piores condições, isto é, quando o desespero das pessoas se transformar em
coragem e acabar por incendiar este palheiro podre da partidocracia.
No mundo contemporâneo este caminho do escrutínio do poder começa finalmente
a despertar na sociedade, através dos blogues, twitters e redes sociais, enfim,
envolvendo um processo global.
E as oposições políticas, se nada tiverem a ver com as múltiplas
demandas do quotidiano, como arranjarão forças para ganhar a sociedade? Não
ganham, como é lógico, mas obrigam um coronel na reserva a ser activo na
oposição… para mal dos meus pecados… "
O segundo apresentador do nosso Livro é o Prof. Dr. António
Correia de Campos, ilustre viseense, meu particular amigo desde os tempos dos bancos
da escola e do liceu, figura pública mais que reconhecida e que nos tem entrado
frequentemente em casa, através da sua intervenção cívica, quer como ministro, deputado
ou como comentador politico em muitos e interessantes debates televisivos.
Reconhecer-lhe as suas grandes qualidades humanas, de cidadão
exemplar, profissional emérito, politico interventivo, não virando a cara na
luta pelos seus princípios e ideais, amigo do seu amigo e ainda por cima beirão
como eu, é para mim uma dupla satisfação e orgulho vê-lo aqui como apresentador
do nosso livro.
Não posso também de deixar de vos ler o email que então dirigiu a
mim e ao Mário Lino, a propósito da leitura que tinha acabado de fazer do livro
A FOTO:
"Meus caros Zé Gomes de Pina e Mário Lino,
Li o vosso livro integralmente, numa viagem a Chipre. Gostei
imenso e por várias razões:
A proximidade com os meus sonhos, anseios e
realizações, muito semelhantes aos vossos, naquelas idades, pelo menos, e creio
que também agora.
A nossa origem social muito próxima: filhos de professores do
ensino primário, de sargento e de pequeno comerciante, afinal a típica classe
média em ascensão, na época.
A variedade de experiências de vida e a franqueza quase ingénua
com que todos se desvendaram.
O sentido de fraternidade que perdura ainda nas vossas relações
actuais.
Tinha o livro em cima da minha mesa quando tive um encontro de
trabalho com uma técnica da nossa Representação Permanente que à saída me
confessou ser filha do Eng. Rui Martins,
também constante da foto, o que prolonga a rede para as gerações seguintes.
A qualidade literária da escrita, que atinge tons novelescos nos
depoimentos do Letria e do Narciso, mantendo todos um alto nível, mesmo quando
se preocuparam sobretudo com a descrição dos contextos.
Finalmente, a ideia de que a nossa juventude tinha causas e
valores.
Como vedes, muitos elementos justificam o mérito da vossa
iniciativa. Tenho pena de não conseguir inserir-me em uma semelhante.
Parabéns a todos e todas com natural permissão de circularem esta
mensagem a quem entenderem. E obrigado ao Zé Pina pelo livro e dedicatória.
Abraço amigo / António
Correia de Campos".
O António, filho varão do Professor David Campos (que felizmente já
ultrapassou o centenário, continuando rijo e a tratar ainda da sua quinta em Figueiró),
fez a sua instrução primária e grande parte do liceu em Viseu, tendo ido para
Moçambique, no início do nosso sexto ano do liceu (1957), acompanhando a
deslocação do seu agregado familiar (mas isso não impediu, quando comemorámos, em
2009, os 50 anos do nosso curso de finalistas do Liceu de Viseu (1952-1959), que
estivesse presente, com grande satisfação, como um dos nossos, como pode ser
testemunhado pelos muitos colegas aqui presentes).
Regressado à Metrópole, enquanto estudante universitário,
empenhou-se activamente no movimento associativo estudantil, tendo sido membro
da Direcção da Associação Académica da Faculdade de Direito da Universidade de
Lisboa, donde foi expulso em 1962, na sequencia da crise académica e do
processo da greve da fome. Transitou para a Faculdade de Direito da Universidade
de Coimbra, tendo chegado a ser eleito (em 1963) Presidente da Associação
Académica, cargo que no entanto não viria a ser oficialmente homologado pelas
autoridades académicas.
Licenciou-se em Direito, tendo feito uma especialização como
Administrador Hospitalar na Escola de Rennes, em França (1969), um mestrado em Saúde Pública na
Universidade de John Hopkins, nos EUA (1978) e o Doutoramento em Saúde Pública pela Universidade Nova de Lisboa (1982).
Em 1975 foi escolhido para integrar o V Governo Provisório,
desempenhando funções de Secretário de Estado do Abastecimento num período
muito curto e em 1979 como Secretário de Estado da Saúde do V Governo
Constitucional.
Aderiu em 1984 ao Partido Socialista, pelo qual foi eleito
deputado à Assembleia da República em 1991, tendo presidido à Comissão do Livro
Branco da Segurança Social entre 1997 e 1998.
Em 2001, foi nomeado Ministro da Saúde, por iniciativa do
primeiro-ministro António Guterres, abandonando então o cargo de Presidente do
Instituto Nacional de Administração, que ocupava desde Janeiro de 1997. Entre
2000 e 2001, foi Presidente do Conselho Científico do Instituto Europeu de
Administração Publica, em Maastricht, na Holanda.
Após a demissão do governo, em Abril de 2002, Correia de Campos
foi nomeado Presidente do Conselho Científico da Escola Nacional de Saúde
Publica, da Universidade Nova de Lisboa, onde já era professor catedrático,
tendo proferido a sua ultima lição em 13 de Abril de 2012.
De Março de 2005
a Janeiro de 2008 integrou o governo de José Sócrates, à
frente do Ministério da Saúde. Presentemente é deputado ao Parlamento Europeu (desde Junho de 2009).
Especialista em Saúde, nomeadamente na ligação desta área com a
Economia, Segurança Social e Administração Pública, é autor de vários livros e
dezenas de artigos publicados na imprensa nacional e estrangeira.
Meus Caros Amigos
Meus Caros Amigos
Agora quanto ao nosso livro. Repetindo um pouco o que já foi dito nas anteriores sessões, tudo começou por uma fotografia amarelecida pelo tempo que a Noémia, algures em 2010, encontrou no seu baú de recordações, foto tirada no Instituto Superior Técnico, seguramente no ano de 1963, viu-se depois, durante um jogo de futebol entre amigos, dezasseis rapazes e uma aguerrida claque de cinco bonitas jovens.
Sobre esta foto, há coisas que sabemos e outras que não sabemos,
ou de que já não nos conseguimos recordar.
Sabemos que dos vinte e um estudantes que estão nesta foto, doze rapazes eram do
Técnico (Albano Nunes, António Redol, Carlos Marum, João Resende, José Gameiro,
já falecido, José Gomes de Pina, João Santos Marques, Luís Bénard da Costa,
também já falecido, Mário Lino, Mário Neto, Raimundo
Narciso e Rui Martins),
um da Faculdade de Ciências (Ernâni Pinto Basto), um da Faculdade de Medicina
(Jaime Mendes) e dois do último ano dos liceus (Joaquim Letria e Fernando
Rosas).
Quanto às raparigas, uma era da Faculdade de Ciências (Paula
Mourão) e três do último ano dos liceus (Marília Morais, Noémia Simões, agora
de Ariztía e Teresa Tito de Morais). Desconhecíamos quem era a quinta rapariga,
precisamente a que, na foto,
está no meio das outras, a quem, por graça e pelo mistério, passámos a designar
por “Mata-Hari”. Mas desde o final do mês passado que uma pista dada por um amigo
pode conduzir a uma hipótese credível de ser também uma estudante liceal da
altura, colega das restantes. Como ainda não se acusou, lá teremos de a obrigar
a confessar…
E também ainda não sabemos quem tirou a foto, nem qual foi o resultado do jogo.
Voltando à Noémia e à foto, como já não se lembrava de algumas
caras ou desconhecia outras, digitalizou-a, enviando-a por email ao Jaime
Mendes, que, pelas mesmas razões, a reenviou ao Raimundo Narciso. Analisada
por ele, teve a ideia de procurar reunir, de novo, todos os que para ela
posaram, com o objectivo de fazerem um balanço das suas vidas e de gozarem a
alegria de se reencontrarem. Para isso distribuiu a foto, também por email, aos
que não tinha perdido o rasto, a maioria dos quais frequentara, nessa época, uma
tertúlia no café Pão de Açúcar, na Alameda Afonso Henriques, escrevendo:
“…a fotografia dos colegas de 1963 sugeriu-me a ideia de fazermos um livro. Digam-me o que vos parece ideia tão insensata.” E propunha ainda “um livro escrito a tantas mãos quantas os que, entre nós, se atrevessem a tanto”, interrogando-se:
“Interessaria aos mais novos, à geração dos nossos filhos e netos, conhecer, através de vivências e percursos de vida tão díspares, uma ponta desse mundo tão próximo e tão ignorado?”
“…a fotografia dos colegas de 1963 sugeriu-me a ideia de fazermos um livro. Digam-me o que vos parece ideia tão insensata.” E propunha ainda “um livro escrito a tantas mãos quantas os que, entre nós, se atrevessem a tanto”, interrogando-se:
“Interessaria aos mais novos, à geração dos nossos filhos e netos, conhecer, através de vivências e percursos de vida tão díspares, uma ponta desse mundo tão próximo e tão ignorado?”
Tratavam-se, de facto, de amigos ou colegas, activistas dos
movimentos associativos estudantis que desenvolviam uma luta muito determinada,
no plano cultural e político, contra a ditadura salazarista. Vários deles
exerciam ou vieram a exercer funções dirigentes nos respectivos órgãos
associativos. Com excepção de quatro ou cinco, todos eram, ilegal e
secretamente, militantes do Partido Comunista Português, alguns deles já com
responsabilidades organizativas.
A comunicação por email parece ter sido o sinal de partida. Ao fim de algum tempo já tínhamos praticamente conseguido estabelecer comunicação entre todos e os primeiros contactados aderiram à ideia com entusiasmo. Uns, pela proposta do livro e outros, pela ideia do convívio que restabeleceria, nalguns casos, pontes de anos ou de dezenas de anos entre vidas desencontradas, onde a política, a luta contra o regime, a clandestinidade, as prisões, os exílios e percursos por quatro continentes, a própria actividade profissional e a luta pela vida, tinham fraccionado o grupo daqueles jovens em múltiplas bolsas de amizades."
Estava lançado o desafio e em marcha, finalmente, o projecto do
livro!
O primeiro encontro deu-se, em Abril de 2010, na casa de campo do
Jaime e da Teresa, perto de Santarém. Compareceram doze ex-jovens, incluindo
maridos e mulheres, todos com a cabeça ainda fresca e levantada. Trouxeram
vinhos e sobremesas, conversaram, comeram e beberam, enchendo a casa de
alegria.
Alguns já não se viam há quase meio século, sabíamos uns dos outros pelas notícias, poucos mantinham relações próximas. Mas parecia que o tempo não tinha passado por nós. O sentimento reinante foi de uma imediata e grande cumplicidade. Marcados por experiências diversas, permanecíamos unidos por aquilo que nos tinha juntado antes, a luta por um país melhor, com liberdade e democracia.
Ao longo de quase dois anos seguiram-se outros encontros, na tentativa de planearmos o livro, escolher o título, o formato, o número de páginas, os currículos e as fotos a incluir, etc., mobilizar vontades para a escrita, marcar objectivos, datas e acompanhar a sua evolução.
Alguns já não se viam há quase meio século, sabíamos uns dos outros pelas notícias, poucos mantinham relações próximas. Mas parecia que o tempo não tinha passado por nós. O sentimento reinante foi de uma imediata e grande cumplicidade. Marcados por experiências diversas, permanecíamos unidos por aquilo que nos tinha juntado antes, a luta por um país melhor, com liberdade e democracia.
Ao longo de quase dois anos seguiram-se outros encontros, na tentativa de planearmos o livro, escolher o título, o formato, o número de páginas, os currículos e as fotos a incluir, etc., mobilizar vontades para a escrita, marcar objectivos, datas e acompanhar a sua evolução.
Por razões várias, apenas oito acabaram por participar como
autores do livro A FOTO.
Nele revisitámos meio século das nossas vidas, encontros e
desencontros, amizades e alheamentos, trajectos que não se cruzaram, amores,
casamentos, compromissos, roturas, dúvidas, actividade politica e
profissional, vidas não coincidentes.
É, portanto, um livro de memórias, de uma geração em que muitos se
bateram pelos valores da liberdade, do progresso, da justiça social, e que
continuam unidos para que estes valores não se percam, antes se consolidem e
aprofundem.
Mas estamos convencidos que a ética e os valores que defendemos permanecem
actuais e universais, e que hoje, tal como ontem, as novas gerações também determinarão
o seu próprio caminho, encontrando a melhor forma de se organizar em sociedades
livres, justas, democráticas e sustentavelmente desenvolvidas.
Um Bem-Haja a todos.
Fernando Figueiredo apresentou "A FOTO" em Viseu
O Coronel Fernando Figueiredo, apresentou, com o Prof. Doutor António Correia de Campos o livro "A FOTO" no Solar do Vinho do Dão, em Viseu, em 2013-02-15.
A quem nãpo conheça e queira conhecer Fernando Figueiredo aconselho a leitura do post com a intervenção do José Gomes de Pina no mesmo evento e que será publicado a seguir a este. Ou então, ou então... uma visita ao seu já famoso blog Viseu Senhora da Beira.
Eis o que o Cor. Fernando Figueiredo disse na sua apresentação:
" Quando em 2004 descobri o mundo da blogosfera, o cidadão Fernando Figueiredo tinha por ideia aproveitar destas novas ferramentas de informação e criar um espaço onde pudesse ir retratando a cidade. Os primeiros posts foram inócuas descrições de lugares da cidade, figuras históricas, fotos e outras opiniões sem qualquer preocupação de análise mas tão só vulgares copy past do que já existia na internet e o Blogger permitia reunir no mesmo endereço. Mas, há sempre um mas, um comentador com o pseudónimo Beirão cedo marcou presença assídua no blog e mais depressa ainda com os seus assertivos, desapaixonados e ajustados comentários conduziu a que o VSB seguisse um outro caminho. Daquele quadro histórico e olhar fotográfico da cidade o Beirão conseguiu convencer o autor do VSB a ter “do alto da Sé, à luz dos valores do herói lusitano, um olhar critico, independente e exigente sobre as terras e gentes da região de Viriato. Com as referências do passado, as preocupações do presente e a esperança no futuro, caminhar em conjunto nesta encruzilhada de gentes e vontades beirãs da Cidade de Viseu teria de ser a sua marca!”
Ora, ao passar a ter uma intervenção
mais activa de cidadania participativa na cidade que corresse até o risco de
ser entendida como opinião politica não poderia por razões estatutárias deixar
de o fazer na clandestinidade e a escolha do Bazookas como pseudónimo aconteceu
naturalmente. Militar a querer não perder a cidadania só o poderia fazer
protegido do “fogo adversário” e munido de armamento factualmente dissuasor. Na
ocasião dizia-me até em jeito de graça um General a quem confessei tal
desconforto de não me quer privar de participar na vida da cidade e ter que o
fazer desta forma que se pode militarizar um civil mas civilizar um militar é
tarefa mais difícil porque a farda cola-se à pele. E o blogue lá foi avançando,
ganhando notoriedade, alguns amigos e muitos outros pouco amigos, espaço de
debate, de denúncia, de controvérsia mas sobretudo tornou-se uma ponte entre
aqueles que obrigando-se a sair da cidade, porque para eles se tornou pequena,
nunca deixaram de a transportar consigo nas suas preocupações. E foram esses, e
em especial o Beirão, que nunca deixaram que o espaço fechasse portas como
tantas vezes o tentei fazer e outras tantas me apeteceu pela incompreensão ou
ingratidão que por este ou aquele motivo fui encontrando, dado que não sendo
detentor da verdade também nesta ou naquela ocasião terei sido injusto ou mesmo
ingrato com um ou outro assunto ou visado nele.
Anos mais tarde a passagem à reserva
por minha livre escolha antecipando igual decisão do Papa e contrariando a
norma geral de quem vive alapado ao poder e dele vive como se coisa sua se
tratasse, permitiu trocar a bazooka pela caneta e dar a cara além do corpo às
balas. Curiosamente, dizem-me que hoje incomoda mais a caneta desta minha
faceta de cidadania interventiva que a bazooka de tempos idos, mas enfim, eu
também ainda não me habituei à ideia de encontrar na política quem se arrogue a
limitar a liberdade de expressão daqueles que em Abril de 74 lhe devolveram
esse valor maior da democracia. Outra curiosidade que aqui partilho convosco é
a de saber onde raio me irão colar politicamente agora depois de me saberem
envolvido neste evento com os “duros” da foto!
Adiante, pois, foi assim já como
activo cidadão na reserva militar que tropecei um dia numa foto e surpresa das
surpresas, o Beirão de pseudónimo era também ele um viseense activo na sua
cidadania e possuidor de uma história de luta pela liberdade.
Fiz esta curta alusão ao VSB para
perceberem do paralelismo com este grupo de oito jovens que, com mais treze
outros, tiraram uma fotografia de circunstância, em 1963, no campo de futebol
do I.S.Técnico e que também parte deles viveram na clandestinidade sem nunca se
privarem do direito e dever de lutar por um Portugal livre e democrático. São
eles que, tal como o VSB serve de ligação com os viseenses espalhados pelo
global espaço cibernético, também servem de ponte com o Portugal de ontem e de
hoje.
São eles que nos contam da “sociedade
tacanha e retrógrada (…) (que) não aceitava facilmente os jovens a intervirem e
a contribuírem para as grandes mudanças que se avizinhavam como certas” ou da
“prossecução da utopia e a confiança num futuro melhor pelo qual vale a pena
lutar.
São eles que nos contam “do medo que
todos os dias de mansinho se insinuava nas vidas de quem não fora feito para
estas vidas” retratando o Portugal daquele tempo da ditadura.
Significativo ainda, no livro que
hoje aqui se apresenta aos viseenses, se mostre como a política era, mais que
tudo, um compromisso de estar com os outros e tecer com eles laços de
cumplicidade no desiderato de um futuro comum. Apesar das diferenças, havia
muito que os unia e um Portugal inteiro a reclamar progresso dependia dessa
comunhão de interesses.
Viseu também surge neste livro
retratada pelo Gomes de Pina, o viseense, mostrando a vida na cidade de então,
as tradições, o pensar dos seus habitantes, a vida do jovem que se obriga a
estudar em Lisboa sem esquecer a cidade. Anos depois o Beirão do VSB continua a
participar com as suas diferentes opiniões no desiderato de uma Viseu mais
desenvolvida, sustentada e projectada no futuro com mais emprego, bem estar e
qualidade de vida para além do betão e da flor da rotunda que garantam que outros
Gomes de Pina não precisem de encontrar em Lisboa nada que Viseu não lhes possa
oferecer. É nesta diversidade que mais não adianto para não vos roubar o prazer
da leitura, que Gomes de Pina situa a necessidade de discutir a cidade e que
mostra que, apesar das nossas diferenças, Viseu tem que ser um projecto comum,
aparte das politiquices e visão rotundista que alguns dos responsáveis pela sua
gestão autárquica ainda teimam em manter.
Citando José Manuel Pureza a
propósito deste livro, também eu infelizmente comungo da ideia que “daqui a 50
anos, um livro escrito por oito jovens activistas de hoje não terá estas
referências. Falará de precariedade, de desilusão, de emigração. Talvez fale da
democracia como uma promessa sempre querida.”
Cada um dos autores desta foto local
e nacional acabou por escolher diferentes caminhos partidários, mas há um tempo
que lhes foi comum, uma ética que ultrapassa partidos e esse é o grande legado
que neste livro, na minha óptica, deixam às gerações vindouras.
É por isto que lhes fico grato e é
por esta oportunidade de convosco o partilhar que lhes deixo o meu beirão Bem
Hajam!
2013-02-11
José Manuel Pureza e A FOTO
José Manuel Pureza foi um dos apresentadores do livro A FOTO em Coimbra e as palavras, repassadas de simpatia, que dedicou aos autores a todos sensibilizou sobremaneira. Agora oferecemo-las aos leitores do blog e do livro porque se elas dizem muito sobre aqueles anos 60 amortalhados pela ditadura dizem também muito, indiretamente, sobre quem as diz.
Eis o que José Manuel Pureza disse em Coimbra, em 19 de Novembro de 2011:
Raimundo Narciso
começa o seu capítulo neste livro citando um excerto de Sophia de Mello Breyner
Andresen. É belíssimo e é uma belíssima síntese do espírito e do conteúdo deste
livro. Diz assim: “Este é o amor das
palavras demoradas / moradas habitadas / Nelas mora / em memória e demora / o
nosso breve encontro com a vida”.
O livro que aqui
estamos a apresentar assume esse propósito de resgatar, em memória e demora, o
breve mas denso encontro com a vida de oito jovens que, com mais treze outros,
tiraram uma fotografia de circunstância, em 1963, no campo de futebol do
Técnico. A revisitação desta fotografia é um exercício muito semelhante ao que
o Professor Keating – personagem imorredoura de “O Clube dos Poetas Mortos” –
fez com os seus alunos: ao olharem intensamente para as fotografias dos antigos
alunos da academia de elite que agora frequentavam, os alunos de Keating ouviam
os sussurros insistentes de “carpe diem”
como desafio às suas vidas. Assim também nós, os leitores de “A Foto”, olhamos
para a fotografia que motivou a escrita e ouvimos distintamente o Jaime Mendes,
a Noémia de Ariztía ou o Joaquim Letria a falarem-nos da “sociedade tacanha e
retrógrada (…) (que) não aceitava facilmente os jovens a intervirem e a
contribuírem para as grandes mudanças que se avizinhavam como certas” – como
escreve Teresa Tito de Morais – ou da “prossecução da utopia e a confiança num
futuro melhor pelo qual vale a pena lutar; (…) (do) sentimento da importância
da nossa ação individual e coletiva; (ou da) vivência da generosidade e do
companheirismo, da alegria de viver, pensar e agir” – como escreve Mário Lino. Tirada
no Portugal cinzento escuro em que se estudava para ter um modo funcionário de
viver – e em que, como escreve Raimundo Narciso, “pior que os sustos era o medo
que todos os dias de mansinho se insinuava nas vidas de quem não fora feito
para estas vidas” – a foto traz sussurros de um claro carpe diem pronunciado no Português da primeira metade da década de
sessenta.
É significativo que
se trate de uma rememoração coletiva. Porque isso mostra como a política era,
mais que tudo, um compromisso em que estar com os outros e tecer com eles laços
de cumplicidade fundos era essencial. Tão essencial que esses laços perduraram
no tempo e não foram abalados pelos diferentes caminhos partidários depois
percorridos pelos rostos da foto. É que esses rostos não nos falam apenas de um
tempo que lhes foi comum, mas de uma ética que partilharam. Daqui a quarenta e
nove anos, um livro escrito por oito jovens ativistas de hoje não terá estas
referências. Falará de precariedade, de desilusão, de emigração. Talvez fale –
espero eu – da democracia como uma promessa sempre querida.
Recordar vem do
Latim: re-cordis, voltar a passar pelo coração. Recordar as palavras e os
gestos de desassombro diante da ditadura, recordar o que custou cada rutura com
os cânones bafientos, recordar cada passo da aprendizagem da democracia muito
antes da sua conquista política e do sentido da combinação fecunda entre a
irredutível liberdade de cada um e o primado do coletivo, recordar também as
trivialidades do quotidiano (o piano de Mário Lino, o Volkswagen carocha de
Noémia de Ariztía avariado na auto-estrada alemã ou a má relação de Jaime
Mendes com os cães… - recordar tudo isto pode ser uma forma única de resistir à
lobotomia coletiva alimentada pelas grandes máquinas informativas
contemporâneas, que elimina subtilmente referências e critérios de juízo. Hoje,
cada vez mais, a História é-nos servida como um amontoado informe de flashes
sem sentido, diante do qual somos convidados a adotar a explicação mais
preguiçosa e superficial como a que vale. Neste quadro do primado do soundbyte, nada tem origens, e muito
menos origens complexas. Tudo é simples, linear, a preto e branco, e esgota-se
em dois dias de prime time televisivo.
A desmemória é uma
estratégia dos neutralizadores da História. Para eles, lembrar porquê e por que
não é uma ameaça. Ter consciência das raízes e dos caminhos percorridos e por
percorrer é uma potencial subversão. Os cordeirinhos, todos alinhadinhos –
mesmo que seja para o matadouro – dispensam bem a memória. Pois bem, nós não.
Os oito que a partilham connosco neste livro fazem dele um exercício de serviço
público. E assim homenageiam o poeta que escreveu: “As folhas vão-se / e nós também / Não é vento, é movimento / fluir do
tempo, amor e morte / agora mesmo e para todo o sempre. Amen.” Esse poeta é
Manuel Alegre. E eu tenho muita honra em partilhar esta apresentação e esta
convocação da memória com ele
2012-12-23
Boas Festas
Os autores de A FOTO desejam, mais ainda dado o contexto adverso, a todos os visitantes deste blog assim como às suas famílias um Bom Natal e um Ano Novo próspero e feliz.
2012-12-21
A Foto do BEIRÃO
Antecipando a apresentação de A FOTO em Viseu, Fernando Pereira de Figueiredo, coronel de Infantaria na reserva, autor do blog Viseu Senhora da Beira, beirão e viseense de gema, segundo concluo, colocou um simpático post no seu blog sobre o "nosso" livro que, estou certo, não escapará à atenção daquele comité que leva o nome do célebre inventor da dinamite e que não gostava de prémios, Alfred Nobel.
O nosso amigo Beirão, que não quero dizer aqui que é o Zé Gomes de Pina, porque já todos sabem, e um dos principais autores de A FOTO, foi quem me informou do post e do blog. Naturalmente fê-lo com aquela modéstia que lhe conhecemos quase pedindo desculpa de ser ele o autor eleito do artigo bloguista, na justa qualidade de viseense pela pena de viseense.
Podia ficar apenas ali em cima o link para o blog Viseu Senhora da Beira mas fico mais confortável colocando o post aqui também. E de caminho felicito o Cor. Fernando Figueiredo pelo seu muito interessante blog. Eis o post:
________________
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Logo no primeiro comentário que recebi do leitor que se identificava como "Beirão" percebi que a sua ligação à cidade vivia da paixão que lhe dedicava sem perder a objectividade da visão critica da realidade. Corrigiu-me análises, ajudo-me a melhorar o grafismo, apontou-me caminhos e tem-me acompanhado ao longo destes anos sempre com a mesma cordialidade e ajustado comentário. Dava a entender que não esquecia as raízes e lembrava-se ainda do tempo em que "as viagens entre Viseu e Lisboa obrigavam a sucessivos transbordos em Santa Comba (linha do Dão) e Pampilhosa (linha da Beira Alta) durante mais de sete horas de viagem no meio de malas, cestos, pessoal em pé, as conversas informais, os farnéis, o nosso portuga em pleno, os amigos e conhecidos que se encontravam, a "autoridade" do revisor, enfim, um romance por viagem." O Eng José Gomes de Pina, o Beirão, encontrei-o há dias na minha caixa de correio graças à sua simpatia na forma de livro que li com prazer e onde descobri que é um ilustre viseense, com um curriculum invejável e com este legado memorável de um retrato do país dos anos 60 e 70 onde a sua juventude de então, irreverente, destemida e cheia de ideais lutou pela liberdade e progresso de Portugal. Espero voltar a encontrá-lo fisicamente em breve cá pelo burgo na apresentação do livro para que à volta de um café lhe possa entregar o abraço fraterno e dizer-lhe de viva voz a estima e consideração que nestes anos me merece como leitor assíduo do VSB.
2012-12-14
2012-12-03
Quanto tempo tem o tempo?: A Foto - E o Reencontro Meio Século Depois: sugestão de leitura
COMENTÁRIO SOBRE O LIVRO A FOTO NO LANÇAMENTO EM COIMBRA POR UMA "BLOGGER" O RELÓGIO DE CORDA
Quanto tempo tem o tempo?: A Foto - E o Reencontro Meio Século Depois: sugestão de leitura
Quanto tempo tem o tempo?: A Foto - E o Reencontro Meio Século Depois: sugestão de leitura
2012-12-02
A intervenção de Mário Lino no Porto
José Gomes de Pina, Noémia de Ariztia, Paula Correia, Raimundo Narciso,Teresa Tito de Morais, António Baptita Lopes, Augusto Santos Silva, Mário Lino e José Ilídio Ribeiro
Caros amigos
Em nome dos oito aurores do livro “A
FOTO e o Reencontro Meio Século Depois”, cabe-me dizer algumas palavras
nesta sessão de apresentação no Porto, tal como o Raimundo Narciso e a Teresa
Tito de Morais já o fizeram nas sessões realizadas, respectivamente, em Lisboa,
no dia 11 de Junho, e em Coimbra no dia 19 de Novembro.
Gostaria de começar por saudar todos os presentes que
aceitaram o nosso convite para participar nesta sessão, dizendo-lhes que muito
nos sensibiliza o facto de partilharem connosco a alegria e a satisfação que
temos na apresentação e divulgação do nosso livro.Gostaria, também, de agradecer à Câmara Municipal do Porto, a disponibilidade e apoio manifestados com a cedência destas instalações para a realização desta sessão de apresentação.
Gostaria, ainda, de agradecer à Editora Âncora e ao Dr. António Baptista Lopes o entusiasmo e empenho com que sempre nos apoiaram na concretização deste projecto.
Uma palavra de particular destaque e apreço é devida
ao Prof. Dr. Augusto Santos Silva e ao Dr. José Ilídio Ribeiro que irão
apresentar o nosso livro.
O José Ilídio Ribeiro foi estudante universitário da
Faculdade de Medicina do Porto, quando nós éramos também estudantes
universitários ou dos últimos anos do Liceu em Lisboa, tendo terminado o seu
curso em 1967. Como nós, também se envolveu nas lutas estudantis dos anos
sessenta. Em 1969 foi incorporado como médico militar, tendo sido mobilizado
pera a guerra colonial em Angola, em Outubro desse ano, donde regressou em
Outubro de 1971. Em 1973 e 1974 fez parte da Direcção Regional Norte da Ordem
dos Médicos. Depois de concluir o internato em 1975, ingressou no Hospital
Eduardo Santos Silva, agora Centro Hospitalar de Vila
Nova de Gaia, onde exerceu sempre funções.
Em resultado da sua reconhecida competência e
dedicação profissional, exerceu diversas responsabilidades hospitalares, tendo,
em 1996, sido eleito pelo Corpo Clínico daquele Centro Hospitalar para seu
Director Clínico, cargo que manteve até se reformar em 2002.
Contrariamente a alguns dos autores do livro que
apenas deram uns toques na bola quando eram estudantes (provavelmente mais para
se armarem em desportistas à frente das namoradas), o José Ilídio Ribeiro foi
um desportista com provas dadas e créditos firmados, tendo defendido a equipa
dos médicos nas modalidades de andebol, basquetebol e futebol, e sido atleta
federado de andebol, Presidente da Associação de Andebol do Porto e dirigente
do Futebol Clube da Maia.
O Augusto Santos Silva é de uma geração posterior:
começou a frequentar a Faculdade de Letras do Porto em 1973, tendo-se licenciado
em História em 1978, e depois, em 1992, doutorado em Sociologia da Cultura e da
Educação pelo Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa.
Enquanto estudante universitário, empenhou-se
activamente no movimento associativo estudantil, tendo sido membro da Direcção
da Associação dos Estudantes da Faculdade de Letras do Porto em 1977, portanto
já depois da Revolução de Abril.É docente da Faculdade de Economia do Porto desde 1981, actualmente com a categoria de Professor Catedrático. Em 1998/1999, foi Pró-Reitor da Universidade do Porto e Presidente do Conselho Científico da Faculdade de Economia do Porto. A par da sua actividade enquanto docente, tem desenvolvido outras relevantes actividades de intervenção cívica, designadamente nos domínios da política, da educação e da cultura, e enquanto colunista e cronista de comunicação social.
No que se refere, em particular, à sua actividade política, integrou diversos órgãos do Partido Socialista, tanto a nível do distrito do Porto como a nível nacional; foi eleito, por diversas vezes, deputado à Assembleia da República pelo círculo eleitoral do Porto; e exerceu funções governativas em três Governos Constitucionais, designadamente como Secretário de Estado da Administração Educativa, Ministro da Educação, Ministro da Cultura, Ministro dos Assuntos Parlamentares e Ministro da Defesa.
Conheci pessoalmente e convivi muito intensamente com
o Augusto Santos Silva quando ele era Ministro dos Assuntos Parlamentares,
durante os 4 anos e meio que integrámos o XVII Governo Constitucional, entre 2005
e 2009, tendo beneficiado muito da sua experiência política, governativa e parlamentar,
guardando desse convívio recordações muito gratas.
Quero deixar uma saudação muito amiga ao José Ilídio
Ribeiro e ao Augusto Santos Silva que muito nos honraram com a sua
disponibilidade para fazer a apresentação do nosso livro nesta sessão, e aos
quais queremos, pública e muito reconhecidamente, agradecer.
Meus caros amigos
Em Março de 1963, um grupo de 21 estudantes pousou
para a foto que está reproduzida na
capa do livro, tirada no campo de futebol da Associação dos Estudantes do Instituto
Superior Técnico, em Lisboa.
Sobre esta foto,
há coisas que sabemos e coisas que não sabemos, ou de que já não nos recordamos.
Sabemos que são 21 estudantes que estão nesta foto, 16 rapazes e 5 raparigas. 12 dos
rapazes eram do Técnico (Albano Nunes, António
Redol, Carlos Marum, João Resende, José Gameiro, já falecido, José Gomes de
Pina, João Santos Marques, Luís Bénard da Costa, também já falecido, Mário
Lino, Mário Neto, Raimundo Narciso e Rui
Martins), 1 da Faculdade de Ciências de Lisboa (Ernâni Pinto Basto), 1 da
Faculdade de Medicina de Lisboa (Jaime Mendes) e 2 do último ano dos liceus (Joaquim
Letria e Fernando Rosas).
Quanto às raparigas, 1 era da Faculdade de Ciências de
Lisboa (Paula Mourão) e 3 do último ano dos liceus (Marília Morais, Noémia
Simões, agora de Ariztía e Teresa Tito de Morais). Desconhecemos quem é a
quinta rapariga, precisamente a que, na foto,
está no meio das 5.
Também não sabemos quem tirou a foto.
10 dos rapazes estavam equipados para o jogo de
futebol que se seguiu à foto. Um dos
rapazes, o João Santos Marques que está de apito na mão, fez de árbitro. Os
outros 5 rapazes e as 5 raparigas constituíam a claque, mas desconhecemos qual
foi o resultado do jogo.
Também sabemos porque estavam juntos: eram amigos, activistas
dos movimentos associativos estudantis que desenvolviam uma luta muito
determinada, no plano cultural e político, contra a ditadura salazarista.
Vários deles exerciam ou vieram a exercer funções dirigentes nos respectivos
órgãos associativos. Com excepção de quatro ou cinco, todos eram, ilegal e
secretamente, militantes do Partido Comunista Português, alguns deles já com
responsabilidades organizativas.
Nos anos que se seguiram a este encontro de futebol,
os estudantes de todo o País sofreram sucessivas e violentas vagas repressivas.
Do grupo da foto, em momentos
diferentes:
·
Foram expulsos da
universidade, Ernâni Pinto Bastos (15 dias da Faculdade de Ciências de Lisboa)
e Mário Lino (2 anos de todas as universidades do País).
·
Foram presos pela
PIDE, Carlos Marum, Fernando Rosas, João Resende, João Santos Marques, Mário
Lino, Mário Neto e Teresa Tito de Morais.
·
Sofreram o exílio, Jaime Mendes, Carlos Marum
e Noémia de Ariztía.
·
Passaram a viver
na clandestinidade em Portugal, para combater a ditadura, Albano Nunes, João
Resende, João Santos Marques e Raimundo Narciso.
Decorridos quase 50 anos, quando, um dia, no início de
Janeiro de 2010, a Noémia de Ariztía estava a fazer arrumações em sua casa,
deparou-se com uma velha caixa de lápis de cor que continha, entre outras
relíquias, aquela foto tirada em
Março de 1963. A descoberta trouxe-lhe à memória acontecimentos há muito
passados e uma grande vontade de saber o que tinha entretanto acontecido
aqueles amigos. Digitalizou a foto e
enviou-a por mail ao Jaime Mendes, com quem mantinha contacto, para ver o que é
que ele sabia. O Jaime, por seu turno, reenviou a foto ao Raimundo Narciso que teve a ideia de procurar reunir, de
novo, todos os que para ela posaram, com o objectivo de fazerem um balanço das
suas vidas e de gozarem a alegria de se reencontrarem. Para isso distribuiu a foto, por mail, aos que não tinha perdido
o rasto, escrevendo:
«[…] A fotografia dos colegas de 1963
sugeriu-me a ideia de fazermos um livro. Vai tudo explicado no ficheiro anexo.
Digam-me o que vos parece ideia tão insensata».
O anexo do e-mail
era um texto longo a rebuscar mil e uma razões que tornasse aliciante a
proposta ou, pelo menos, que evitasse que a considerássemos uma proposta tola. O
Raimundo Narciso propunha «um livro
escrito a tantas mãos quantos os que, entre nós, se atrevessem a tanto», e
interrogava-se: «Interessaria aos mais
novos, à geração dos nossos filhos e netos, conhecer, através de vivências e
percursos de vida tão díspares, uma ponta desse mundo tão próximo e tão
ignorado?».
Os primeiros
contactados aderiram à ideia com entusiasmo. Uns, pela proposta do livro e
outros, pela ideia do convívio que restabeleceria, nalguns casos, pontes de
anos ou de dezenas de anos entre vidas desencontradas.
A mensagem electrónica foi, pois, o sinal. Muitas
outras refizeram os contactos e as amizades perdidas em quase meio século de
viagem, em que alguns ficaram pelo caminho. A política, a luta contra o regime
fascista, as prisões, a clandestinidade, os exílios, percursos por quatro
continentes, a actividade profissional, a luta pela vida, encontros e desencontros,
fraccionaram o grupo daqueles jovens em múltiplas bolsas de amizades.
Ao fim de algum tempo já tínhamos estabelecido
contacto entre todos. Seguiram-se, ao longo de quase dois anos, diversos
almoços de convívio em casa de vários dos participantes na foto, para planearmos o livro e acompanharmos a evolução da sua
escrita.
Por razões
várias, apenas oito dos estudantes presentes na foto acabaram por
concretizar este projecto.
O livro foi editado em Junho de 2012. A sessão de
lançamento realizou-se no Salão Nobre da Reitoria da Universidade de Lisboa, contando
com as intervenções do Dr. Jorge Sampaio que apresentou o livro, e do Reitor, Prof.
Dr. Sampaio da Nóvoa.
Neste livro, "revisitámos meio século das nossas vidas,
encontros e desencontros, amizades e alheamentos, trajectos que não se
cruzaram, amores, casamentos, compromissos, roturas, dúvidas, vidas não
coincidentes." É, portanto, um livro de memórias de uma geração em que muitos se
bateram pelos valores da liberdade, do progresso, da justiça social, e que
continuam unidos para que estes valores não se percam, mas antes se consolidem
e aprofundem.
Estamos num tempo em que muitas das conquistas sociais,
tardiamente conquistadas em Portugal após o 25 de Abril de 1974, e na Europa
desde o fim da Segunda Guerra Mundial, estão a ser fortemente atacadas pela
especulação dos mercados financeiros internacionais, e em que estamos
confrontados com a tibieza e inadequação das respostas que a UE vai,
penosamente, engendrando, e com a austeridade ideológica e letal com que o
Governo vai sufocando o País.
Por outro lado, enfrentamos hoje, em Portugal, na Europa e
no Mundo, novas lutas e desafios, e novas bandeiras se levantam.
Mas estamos firmemente convictos que a ética e os valores
que defendemos se mantêm actuais e universais, e que hoje, tal como ontem, as
novas gerações farão o seu caminho e encontrarão a melhor forma de se
organizarem em sociedades mais livres, democráticas, sustentavelmente
desenvolvidas e justas.
E mais não digo, convidando-vos apenas a ler o nosso livro.
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